B3 apresenta projeto de ações tokenizadas negociadas 24 horas por dia, com liquidação instantânea, para testar em cerca de 8 semanas no piloto da CVM
Modelo prevê um segundo ambiente de negociação ligado à bolsa, liquidação em D+0 com entrega simultânea de ação e dinheiro tokenizado e acesso da CVM às transações em tempo real; não há data para estreia comercial

Eduardo Alexandre Marques Silva, representante da B3 no encontro da CVM. Foto: Divulgação/MMerge
A B3 apresentou nesta sexta-feira (6) um projeto de ações tokenizadas negociadas 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em madrugadas, feriados e fins de semana, com liquidação praticamente instantânea em blockchain. A proposta foi detalhada no 2º Encontro com o Mercado do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em São Paulo, como mostrou o BitNotícias.
O projeto entra no Programa Piloto DLT criado pela Resolução CVM 249, de outubro, que permite testar emissão, negociação, custódia e liquidação de valores mobiliários em redes distribuídas, mas só com ativos, recursos e participantes fictícios. A B3 apresentou um cronograma de cerca de oito semanas, dividido entre conectividade com a CVM, validação da tokenização, conciliação dos ativos, negociação contínua, liquidação atômica e relatórios finais.
A ideia é criar um segundo ambiente de negociação, conectado à bolsa, que funcione quando o pregão convencional estiver fechado. Hoje a liquidação de ações ocorre em D+2, dois dias úteis depois do negócio; no modelo testado, seria em D+0. O token funciona como um gêmeo digital da ação: a titularidade oficial continua registrada na depositária central, e a ação vira token quando vai para uma carteira específica (mint) e deixa de existir como token no caminho de volta (burn). Eventos como desdobramentos, grupamentos, fusões e cisões seriam conciliados entre os dois ambientes.
Segundo Eduardo Alexandre Marques Silva, um dos representantes da B3 no painel, a intenção não é substituir a estrutura atual de compensação e liquidação, mas permitir que os dois sistemas convivam. A liquidação seria atômica: a ação tokenizada e o dinheiro trocam de mãos ao mesmo tempo. Questionado se seria preciso uma stablecoin, ele disse que uma moeda tokenizada não é obrigatória, mas seria o modelo ideal. A apresentação não definiu qual moeda seria usada.
“Não é necessária, mas o ideal seria que sim, a gente tivesse uma moeda tokenizada”
Eduardo Alexandre Marques Silva, representante da B3, sobre o uso de stablecoin na liquidação, segundo o BitNotícias
Raphael de Almeida Torlay, também da B3, explicou que a negociação não acontecerá diretamente na blockchain: a bolsa mantém um sistema próprio de negociação e usa o registro distribuído na tokenização e na liquidação. A B3 desenvolveu APIs com acesso só de leitura, por credenciais de auditoria, para que a CVM acompanhe em tempo real transações, eventos, participantes e registros criptográficos dos testes. Carlos Alberto Spina Junior completou o time da bolsa no encontro.
Em outubro, a B3 já havia indicado que pretende lançar uma primeira etapa de ações tokenizadas em janeiro de 2027, com liquidação em D+2 e sem negociação 24 horas. O projeto apresentado agora é uma evolução posterior dessa estrutura e ainda não tem data de estreia comercial; os testes vão servir para a CVM avaliar que mudanças de regra seriam necessárias.
Por que importa. Um mercado de ações que não fecha e liquida na hora precisa de dinheiro tokenizado, carteiras, custódia e monitoramento de fraude funcionando de madrugada e no fim de semana. Cada uma dessas peças é um serviço que fintechs de pagamento, de custódia e de infraestrutura cripto já sabem vender, e quem tiver a moeda tokenizada ou a integração pronta quando a bolsa abrir o piloto entra como fornecedor de um mercado inteiro.
Fonte: BitNotícias e CVM. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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