Base Exchange, rival da B3 controlada pelo Mubadala, adia estreia para o segundo semestre de 2027
Bolsa do Rio terá ações, fundos imobiliários e ETFs, já tem 210 funcionários e recebeu aval do Banco Central para testes no início de 2027

Francisco Gurgel, CEO da Base Exchange: Divulgação/Base Exchange
A Base Exchange, nova bolsa de valores controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala e primeira concorrente a desafiar a B3 no mercado de ações, planeja começar a operar no segundo semestre de 2027, dois anos depois da data prevista inicialmente. A informação foi dada pelo presidente-executivo, Francisco Gurgel, à Reuters, em entrevista publicada nesta quinta-feira (5) pelo InfoMoney.
Em entrevista anterior à agência, a Base Exchange havia indicado que esperava estrear já no segundo semestre de 2025. “Tem sido um aprendizado”, disse Gurgel, ao explicar que criar uma bolsa do zero exigiu mais tempo do que o esperado.
Segundo o executivo, o Banco Central deu sinal verde no mês passado para que a bolsa inicie testes funcionais no começo de 2027, como parte do processo de autorização.
A Base Exchange vai oferecer negociação de ações, fundos imobiliários e fundos de índice (ETFs). Ela negociará todas as ações hoje listadas na B3, mas não fará listagens primárias (IPOs) de imediato. A empresa tem 210 funcionários e escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. A estreia marcará a volta da negociação de ações ao Rio mais de 25 anos depois de a bolsa da cidade ter se fundido com a B3.
“Tem sido um aprendizado”
Francisco Gurgel, presidente-executivo da Base Exchange, à Reuters
Gurgel disse que a concorrência deve aumentar e pode reduzir custos para os investidores, mas não informou quanto espera que os custos de negociação caiam. A empresa também poderá buscar sócios minoritários para se juntar ao Mubadala, com foco em trazer participantes do mercado para o conselho de administração, e não em levantar capital.
Procurada pela Reuters, a B3 afirmou que já enfrenta a concorrência de bolsas internacionais, já que investidores estrangeiros respondem por cerca de 50% do volume negociado no Brasil, e que sua política de preços é feita para oferecer condições competitivas a todos os perfis de clientes.
Por que importa. Uma segunda bolsa de ações muda a conta de quem vive de intermediar investimento: com duas casas disputando a mesma negociação, a tarifa por ordem tende a cair, e isso abre espaço para corretoras digitais, apps de investimento e fintechs de infraestrutura que conectam o cliente às bolsas e escolhem onde executar cada ordem pelo menor custo.
Fonte: Reuters, via InfoMoney. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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