binds.co: quem já sofreu fraude adere 25% menos ao Open Finance, e 22,8% das vítimas param de compartilhar dados
Pesquisa com 1.609 pessoas mostra que metade já foi vítima de golpe financeiro e que 34,8% delas passaram a confiar menos nas instituições

Leandro Cabral, fundador e CEO da binds.co. Foto: Divulgação
Quem já caiu em fraude financeira usa menos o Open Finance. Um cruzamento da binds.co, empresa que mede a experiência do cliente para marcas, mostra que 27,8% das vítimas de fraude usam o sistema, contra 36,8% de quem nunca passou por isso. Entre as vítimas, a adoção é cerca de 25% menor. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (26), segundo o Let's Money.
Na amostra inteira, 32,3% dizem já usar o Open Finance. Metade dos entrevistados (51,0%) afirma já ter sido vítima de fraude financeira, e 34,8% desse grupo passaram a confiar menos em instituições financeiras depois do ocorrido, o equivalente a 13,7% de toda a amostra.
O golpe muda hábitos: 95,6% das vítimas dizem ter alterado pelo menos um comportamento. Mais de uma em cada cinco (22,8%) passou a evitar o compartilhamento de dados, 22,2% reforçaram a proteção com autenticação extra ou biometria e 15,8% trocaram de instituição financeira. Evitar compartilhar dados é a mudança que mais pesa para o Open Finance, que só funciona quando o cliente autoriza a troca de informações entre as instituições.
“A fraude tem um efeito que dura mais do que o prejuízo financeiro. Ela muda a forma como a pessoa se relaciona com tecnologia e inovação daí em diante, e poucas empresas conseguem medir esse arrasto ao longo da jornada”, afirmou Leandro Cabral, CEO da binds.co. “Depois de uma fraude, o cliente não volta ao ponto de partida. Ele passa a avaliar cada permissão com mais critério, e isso aparece na adoção de qualquer serviço que dependa de dados”, completou.
“Depois de uma fraude, o cliente não volta ao ponto de partida”
Leandro Cabral, CEO da binds.co
A pesquisa ouviu 1.609 pessoas entre 14 de julho e 5 de agosto de 2026, com margem de erro próxima de 2,4 pontos percentuais. O cruzamento entre fraude e Open Finance usa os 1.240 participantes que responderam às duas perguntas: 632 vítimas e 608 que nunca sofreram fraude. A mesma pesquisa já tinha mostrado que 70,8% preferem resolver problemas com o banco pelo app ou pelo WhatsApp.
Por que importa. Consentimento virou ativo: a fintech que vive de dados do Open Finance (crédito, cobrança, gestão financeira) depende de o cliente apertar 'autorizar'. Com metade do país já vítima de golpe, quem explicar com clareza que dado usa, para quê e por quanto tempo, e juntar isso a antifraude visível, converte mais e paga menos para conquistar cliente.
Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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