BTG aposta em Pix internacional com stablecoins e prevê escala em até 5 anos
André Portilho, head de digital assets do BTG Pactual, diz que as moedas digitais atreladas ao dólar podem fazer pelas transferências entre países o que o Pix fez pelos pagamentos no Brasil

André Portilho, head de digital assets do BTG Pactual. Foto: Reprodução/Global Finance
O BTG Pactual aposta que as stablecoins podem virar uma espécie de Pix internacional. Para André Portilho, head de digital assets do banco, essas moedas digitais, em geral atreladas ao dólar, podem ganhar escala nos próximos três a cinco anos e deixar mais rápidas e baratas as transferências de dinheiro entre países. A avaliação foi feita em entrevista ao NeoFeed, publicada na sexta-feira (30), durante o Swell, evento da Ripple em Nova York.
Segundo Portilho, o movimento junta três forças: o amadurecimento da tecnologia, a regulação que permite a participação de grandes bancos e a educação sobre o tema dentro das instituições. A principal oportunidade, disse, é tornar a transferência internacional tão simples para o cliente quanto um pagamento doméstico, com menos intermediários.
O executivo admite que os bancos podem perder parte das receitas dos modelos tradicionais de pagamento, mas afirma que as instituições brasileiras têm “muito mais a ganhar do que a perder”, porque a nova infraestrutura permite criar outras fontes de receita.
O BTG atua com ativos digitais desde 2017, quando começou com operações de arbitragem de criptomoedas, e depois avançou para a tokenização de ativos financeiros. O banco encerrou junho com R$ 930 bilhões em ativos totais, alta de 14,9% sobre os R$ 809,3 bilhões de dezembro de 2025, mas não divulga separadamente quanto os ativos digitais contribuem para o resultado.
“Desde o primeiro momento, geramos receita nova para o banco. Isso acaba permitindo que a gente consiga fazer tudo que fez, porque torna um negócio sustentável.”
André Portilho, head de digital assets do BTG Pactual, ao NeoFeed
Uma das iniciativas recentes é a parceria entre a Ripple e a CSD BR, infraestrutura autorizada a registrar, depositar e liquidar ativos financeiros. Na primeira fase, cotas de fundos do BTG depositadas na CSD BR serão tokenizadas e terão os registros espelhados no XRP Ledger, como camada extra de consulta e auditoria. A CSD BR informa ter mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados. Se a etapa for validada, o projeto pode avançar para a emissão de ativos direto em blockchain, incluindo CRI e CRA.
Para Markus Infanger, vice-presidente da RippleX, a blockchain não vai substituir os bancos, e a mudança deve vir da integração entre os dois sistemas. Portilho disse ainda que o BTG prepara novos anúncios em ativos digitais para os próximos meses.
Por que importa. Se as stablecoins virarem o Pix internacional, o dinheiro deixa de estar na tarifa de remessa e passa para quem cria serviço em cima da nova infraestrutura. Há espaço para fintechs de câmbio, pagamento a fornecedor no exterior, conta global e tokenização de recebíveis. O próprio BTG diz que gera receita nova com ativos digitais desde o primeiro momento.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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