Kria e SMU Investimentos unem bases de crowdfunding, chegam a 100 mil investidores e miram R$ 80 milhões em 12 meses
Sem aquisição nem mudança societária, a SMU deixa de subir ofertas próprias e passa a originar e divulgar operações na plataforma do Kria, registrada na CVM

Executivos do Kria e da SMU, com Camila Nasser e Rodrigo Carneiro ao centro. Foto: Divulgação
O Kria, plataforma de crowdfunding de investimento, e a SMU Investimentos, duas das pioneiras desse mercado no Brasil, fecharam uma parceria para unir as bases de investidores. Com a soma, o Kria passa a oferecer suas operações a cerca de 100 mil investidores cadastrados, segundo informou o Startups nesta terça-feira (3).
As empresas dizem que não se trata de uma aquisição: não há pagamento em dinheiro nem mudança societária. O Kria fica como a plataforma registrada na CVM, com as operações correndo no seu ambiente, e a SMU passa a ser a principal parceira na divulgação das ofertas. O time da SMU também entra na mesa de originação de novas ofertas do Kria.
O Kria tinha 60 mil cadastros e a SMU, 40 mil. Segundo a CEO do Kria, Camila Nasser, 15% dos investidores da SMU já investiam pelo Kria, o que deixa 85% da base para ampliar com as ofertas da plataforma.
A meta da base combinada é distribuir R$ 80 milhões nos próximos 12 meses, com cerca de R$ 20 milhões já em preparação para os dois últimos meses deste ano, e chegar a R$ 200 milhões por ano a partir de 2028.
“O Kria tinha seus 60 mil cadastros, a SMU seus 40 mil, e a gente passa a trabalhar operações em uma base de 100 mil.”
Camila Nasser, CEO do Kria, ao Startups
Rodrigo Carneiro, sócio da SMU, explica que a decisão de parar de subir ofertas próprias tem duas razões. A primeira é escala: uma oferta no Kria chega a 100 mil investidores, e não a 40 mil. A segunda é tecnologia: a SMU concentrou o desenvolvimento dos últimos anos na Estar Finance, empresa de mercado de balcão criada no sandbox da CVM e vendida à Laqus no começo deste ano. A SMU ainda poderá lançar no máximo uma ou duas ofertas próprias menores.
Carneiro passa a cuidar da carteira da casa, com mais de 40 investimentos em que a SMU entrou como investidora ou líder, além da participação na Laqus. Segundo ele, a SMU vira quase uma holding de investimentos.
A parceria aposta na reforma da Resolução CVM 88, em consulta pública, que prevê elevar o limite por oferta de R$ 15 milhões para até R$ 50 milhões, acabar com o teto de faturamento das empresas emissoras, incluir securitizadoras e flexibilizar o mercado secundário. Camila Nasser espera a aprovação até o fim do ano.
O efeito maior, para ela, seria no equity. Até 2023, ações respondiam por cerca de 95% do que era emitido nessas plataformas; neste ano, segundo levantamento do Kria, são cerca de 3%, e o resto é renda fixa digital. Carneiro concorda que hoje o mercado pede renda fixa e diz que as plataformas se mostraram uma ferramenta ágil e barata para emissões de dívida.
Por que importa. A plataforma de crowdfunding ganha uma taxa sobre cada real captado, e a renda fixa digital virou quase tudo o que se emite nesse mercado. Com o limite por oferta podendo subir de R$ 15 milhões para R$ 50 milhões, quem tiver base de investidores e originação de dívida de pequenas e médias empresas pode vender crédito a um custo menor que o do banco e ficar com a comissão.
Fonte: Startups. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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