Looqbox, de Rodrigo Murta, testou IA com 8 mil vendedores das Casas Bahia, somou R$ 6,4 milhões estimados em vendas e mira faturar R$ 18 milhões em 2026
Fundada em 2013 pelos irmãos Rodrigo e Daniel Murta, a Looqbox faturou R$ 10,8 milhões em 2025, opera com 40 pessoas, metade do que já teve, e projeta crescer 67% neste ano

Rodrigo Murta, CEO e cofundador da Looqbox. Foto: Looqbox/Divulgação
A Looqbox, empresa brasileira de tecnologia que usa inteligência artificial para orientar vendedores de grandes redes de varejo, estimou em R$ 6,4 milhões o ganho de vendas obtido num teste de 28 dias com as Casas Bahia, segundo reportagem da Exame publicada nesta segunda-feira (2). A empresa faturou R$ 10,8 milhões em 2025 e projeta chegar a R$ 18 milhões em 2026, alta de 67%. A Exame registra que a Looqbox ainda não divulgou resultado consolidado que confirme a meta.
O experimento ocorreu entre 3 e 30 de setembro, com mais de 8 mil vendedores em 738 lojas da varejista. A Looqbox dividiu 43 regionais entre grupos que receberam as recomendações e grupos de controle. Os vendedores orientados pela ferramenta venderam, em média, 2,3% a mais por cliente atendido, cerca de R$ 28 a mais por atendimento. Num teste anterior com o Magazine Luiza, a solução apontou alta de 3,9% no resultado comercial acompanhado, de acordo com o CEO Rodrigo Murta.
A empresa foi fundada em 2013 por Murta, físico formado pela Universidade Federal do Pará, e pelo irmão Daniel Murta, responsável pela área de tecnologia. A primeira versão nasceu dentro da rede de supermercados St. Marche, onde Rodrigo trabalhava desde 2011: uma ferramenta para consultar dados comerciais com perguntas em linguagem natural, que recebeu 1 milhão de consultas em 2014. Os irmãos começaram com R$ 200 mil da família, e as Casas Bahia foram o primeiro grande cliente pagante. Entre os clientes também estão o Magazine Luiza e o Grupo Fleury.
Em 2022, a Looqbox recebeu um aporte de R$ 15 milhões liderado pela gestora DGF. O lançamento do ChatGPT ameaçou o produto, que respondia perguntas sobre dados, e em maio de 2024 a empresa fez demissões e mudou a estratégia: passou a recomendar ações comerciais, como avisar o vendedor que está abaixo da meta ou sugerir um produto que vende bem na loja.
“O que a gente tem que a IA não consegue copiar são os experimentos que a gente faz com os nossos vendedores.”
Rodrigo Murta, CEO e cofundador da Looqbox, à Exame
A Looqbox já teve 80 funcionários e hoje opera com 40. Segundo Murta, a empresa dobrou o faturamento com metade da equipe. Para crescer, contratou uma nova liderança de vendas, reforçou o marketing e negocia parcerias com grandes fornecedores de software para distribuir a tecnologia. “A empresa tem que crescer sem que o Murta tenha que estar ali em todos os lugares”, disse o fundador à Exame.
Por que importa. Varejo grande paga por aquilo que prova retorno em reais, e a Looqbox vende exatamente isso: teste com grupo de controle e conta de quanto a loja vendeu a mais. A mesma lógica vale para fintech: quem oferece crédito, cashback ou pagamento no ponto de venda e mede o ganho por vendedor ou por loja tem um argumento de venda que banco grande raramente traz.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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