Vereda capta R$ 30 milhões com Valor Capital, Canary e a16z para vender insumos agrícolas e levar o crédito da safra a bancos e fundos
Agritech de Rio Verde (GO), fundada no fim de 2025 por dois jovens de 24 anos, quer tirar das revendas a função de financiar o produtor e estruturar o crédito com bancos, tradings e fundos de crédito privado

João Pedro de Souza e Pedro Galindo, fundadores da Vereda. Foto: Divulgação
A Vereda, agritech de distribuição de insumos agrícolas, captou R$ 30 milhões em uma rodada seed coliderada pela Valor Capital Group e pela Canary, com participação da Andreessen Horowitz (a16z) por meio do fundo Speedrun, dedicado a startups em estágio inicial, segundo informou o Pipeline nesta terça-feira (3).
Fundada no fim de 2025 em Rio Verde, Goiás, por João Pedro de Souza e Pedro Galindo, ambos de 24 anos, a startup já trabalha com 10 indústrias. A proposta é mudar a forma como os fabricantes vendem insumos ao agricultor, sem os intermediários que hoje acumulam distribuição, estoque e financiamento da safra.
A tese parte da crise das distribuidoras de insumos, muitas delas em recuperação judicial. Elas compram dos fabricantes, mantêm estoque e dão prazo ao produtor para pagar depois da colheita, um modelo que passou a sofrer com os juros altos e o avanço dos genéricos. A saída proposta pela Vereda é separar a venda do financiamento.
Na venda, a Vereda funciona como canal comercial das fabricantes, sem comprar mercadoria nem manter estoque, e ganha comissão sobre o que vende. A operação junta vendedores próprios e agentes comerciais autônomos que podem oferecer várias marcas, num modelo parecido com o dos assessores autônomos de plataformas de investimento como XP e BTG, segundo o Pipeline. Galindo, que antes trabalhou no Pátria com investimentos em empresas de tecnologia, diz que a empresa constrói agentes de inteligência artificial para cuidar da parte operacional da venda.
“Essas margens vêm sendo comprimidas de forma estrutural, ano após ano, e a conta entre margem e custo de financiar o agricultor deixou de fechar para as revendas.”
João Pedro de Souza, cofundador da Vereda, ao Pipeline
No crédito, a Vereda quer transferir o financiamento das compras para instituições financeiras. Um piloto já está em curso na safrinha 2026/2027 com bancos, tradings e fundos de crédito privado, que pagam o fabricante à vista e financiam o agricultor. A Vereda estrutura as operações, mas não empresta recursos nem assume o risco de crédito.
Para a área comercial, a startup trouxe como sócio e diretor João Vieira da Silva Filho, executivo com 25 anos no setor e passagens por Nutrien, Grupo Tec Agro e BR Agro. Segundo o Pipeline, a rodada é o primeiro investimento do Speedrun no agronegócio latino-americano.
Por que importa. Quem financia a safra hoje é a revenda, e a conta parou de fechar com juros altos. A startup que organiza a venda e entrega a operação de crédito pronta para bancos e fundos de crédito privado fica no meio de um dos maiores mercados de crédito do Brasil, o do produtor rural, sem colocar dinheiro próprio em risco.
Fonte: Pipeline. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Crowdfunding
Kria e SMU Investimentos unem bases de crowdfunding, chegam a 100 mil investidores e miram R$ 80 milhões em 12 meses
Sem aquisição nem mudança societária, a SMU deixa de subir ofertas próprias e passa a originar e divulgar operações na plataforma do Kria, registrada na CVM

- Cripto regulado
Obsidiam, do portfólio da Tether, pede licença de PSAV ao Banco Central para operar reais e stablecoins para empresas
Empresa de câmbio, pagamentos internacionais e liquidez com stablecoins chegou ao Brasil em fevereiro e diz que o país é central na expansão pela América Latina

- Aquisição
Ável, com R$ 17 bilhões sob cuidados e a XP como sócia, compra a Westlink Capital para atender empresas e quer dobrar de tamanho até 2028
Escritório de São José do Rio Preto foi fundado por ex-executivos do corporate do Itaú BBA e era o primeiro da rede XP focado em pessoa jurídica

- Histórias
Looqbox, de Rodrigo Murta, testou IA com 8 mil vendedores das Casas Bahia, somou R$ 6,4 milhões estimados em vendas e mira faturar R$ 18 milhões em 2026
Fundada em 2013 pelos irmãos Rodrigo e Daniel Murta, a Looqbox faturou R$ 10,8 milhões em 2025, opera com 40 pessoas, metade do que já teve, e projeta crescer 67% neste ano

