Casas Bahia: FIDC do crediário entra em liquidação com 84% da carteira provisionada
Fundo gerido pela Polígono Capital e administrado pelo BTG Pactual tinha R$ 122 milhões em provisões sobre R$ 145,1 milhões em créditos; patrimônio caiu 66% em um ano

Loja da Casas Bahia no Caxias Shopping (RJ). Foto: Eduardo P/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
O Grupo Casas Bahia FIDC, fundo de direitos creditórios criado para financiar as compras parceladas dos clientes da varejista, entrou em liquidação em outubro, segundo reportagem da VEJA publicada nesta quinta-feira (29). Administrado pelo BTG Pactual e gerido pela Polígono Capital, o fundo acumulava em setembro R$ 122 milhões em provisões sobre uma carteira de crédito de R$ 145,1 milhões, o equivalente a 84,1% dos valores a receber.
A liquidação foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 15 de outubro. No dia 16, o fundo divulgou fato relevante e, no dia 26, realizou assembleia extraordinária de cotistas.
A piora da carteira foi rápida. Em setembro de 2025, as provisões representavam 26,5% dos créditos. O patrimônio líquido do fundo caiu de R$ 181 milhões para R$ 61,5 milhões em um ano, queda de cerca de 66%, e as parcelas vencidas passaram de 0,4% para 29,7% da carteira.
A deterioração começou antes do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, feito em agosto: as provisões já estavam altas nos meses anteriores. Segundo a VEJA, os dados disponíveis não permitem afirmar que a recuperação judicial provocou a liquidação, e o encerramento não significa que os consumidores deixarão de pagar as prestações.
“Em setembro, as parcelas vencidas correspondiam a 29,7% da carteira, ante apenas 0,4% no mesmo mês do ano anterior.”
VEJA, com dados da CVM
A varejista mantém outras estruturas de financiamento das vendas, como a parceria aprovada em 2024 com o RED FIDC Real, gerido pela RED Asset, que compra créditos originados pela BMP. Esse veículo não tem participação demonstrada na liquidação do fundo administrado pelo BTG. Até agora, não há sinal de que o encerramento tenha reduzido a oferta de parcelamento nas lojas.
Por que importa. O crediário de varejo virou um negócio de FIDC, e quem ganha dinheiro nele é quem sabe medir o risco do consumidor antes da varejista. Uma carteira que sai de 0,4% para 29,7% de atraso em um ano mostra o espaço para fintechs de análise de crédito, cobrança e monitoramento de carteira que vendem esse serviço a gestoras e originadores.
Fonte: VEJA. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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