LUZ/POP BR: volume negociado de CRIs chega a R$ 42,8 bilhões no 3º trimestre, o 2º maior da história, enquanto debêntures caem 22%
Levantamento da POP BR, precificadora da LUZ Soluções Financeiras, mostra o mercado secundário de crédito privado em R$ 272 bilhões, terceiro trimestre seguido de queda

Logos: LUZ Soluções Financeiras, Lavvi, Multiplan e Pacaembu. Reprodução
O volume negociado de CRIs (certificados de recebíveis imobiliários) somou R$ 42,8 bilhões entre julho e setembro de 2026, alta de 24,2% sobre o mesmo período de 2025 e o segundo maior da série histórica, iniciada em 2013. Só fica atrás dos R$ 44,9 bilhões do primeiro trimestre de 2023. O dado é de um levantamento da POP BR, precificadora de ativos de crédito da LUZ Soluções Financeiras, divulgado pelo Valor Investe nesta quarta-feira (4).
Os CRIs foram na direção contrária do resto do mercado secundário de crédito privado. Somadas, as negociações de debêntures, CRIs e CRAs (certificados de recebíveis do agronegócio) movimentaram R$ 272 bilhões no trimestre, queda de 17% frente aos R$ 327,5 bilhões de um ano antes e de 20% frente ao segundo trimestre. Foi o terceiro trimestre seguido de queda, e o volume ficou no menor patamar desde o segundo trimestre de 2025.
As debêntures puxaram o recuo: R$ 208,2 bilhões negociados, 22,4% a menos que os R$ 268,4 bilhões do terceiro trimestre de 2025. Os CRAs somaram R$ 20,9 bilhões, queda de 15% na comparação anual, mas alta de 8,4% sobre o segundo trimestre. No acumulado de janeiro a setembro, as três classes ainda crescem 12,3%, para R$ 952,6 bilhões.
O número de títulos negociados subiu, mesmo com menos dinheiro girando: foram 4,4 bilhões de papéis no trimestre, alta de 23,8%. Os CRIs responderam por 1,652 bilhão de papéis, quase o triplo dos 588,2 milhões de um ano antes.
“Esse movimento pode refletir as incertezas do mercado sobre a economia nacional e, especificamente, o crescente número de pedidos de recuperações judiciais e extrajudiciais.”
André Morino, sócio e gerente da LUZ Soluções Financeiras
No ano, o CRI mais negociado foi um papel da Lavvi Empreendimentos Imobiliários, com R$ 1,88 bilhão, seguido por títulos da Multiplan e da Pacaembu Construtora. Entre as debêntures, a liderança ficou com a CEEBD1, da Coelba, com R$ 8,26 bilhões; entre os CRAs, com um papel da Cocal, com R$ 2,78 bilhões.
“Esse movimento pode refletir as incertezas do mercado sobre a economia nacional e, especificamente, o crescente número de pedidos de recuperações judiciais e extrajudiciais que, por sua vez, causam movimentos de resgates em fundos e aumento de spread desses títulos”, disse André Morino, sócio e gerente da LUZ Soluções Financeiras, segundo o Valor Investe.
Por que importa. Quando o investidor foge das debêntures e corre para o CRI, cresce a demanda por quem estrutura, precifica e distribui recebível com lastro real. Para uma fintech, há receita em originar crédito imobiliário para securitizar, em dar dados e preço para papéis pouco líquidos e em levar esses títulos ao investidor pessoa física.
Fonte: Valor Investe. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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