Desconto de duplicatas vai de 0,75% (Banco Stellantis) a 7,24% ao mês (Nu Financeira), mostra ranking do BC com 58 instituições
Banco Stellantis tem a menor taxa e Nu Financeira, a maior; entre os digitais, Digio cobra 0,96% e Inter, 1,08% ao mês

Logos: Nubank, Inter, Digio, PicPay, C6, Efí, BS2, Agrolend. Reprodução
O custo do desconto de duplicatas, uma das principais linhas de capital de giro das empresas, variou quase dez vezes entre as instituições financeiras na semana de 13 a 19 de outubro, segundo o ranking de taxas de juros que o Banco Central divulga para a modalidade prefixada de pessoa jurídica. Das 58 instituições listadas, a taxa mais baixa foi a do Banco Stellantis, de 0,75% ao mês (9,35% ao ano), e a mais alta, a da Nu Financeira, de 7,24% ao mês (131,3% ao ano), como mostrou o FIDC Data na quarta-feira (4).
No desconto de duplicatas, a empresa cede a um financiador, com deságio, valores que só receberia dos clientes em 30, 60 ou 90 dias, e recebe o dinheiro na hora. É o mesmo tipo de ativo que os FIDCs de recebíveis comerciais compram das empresas cedentes, por isso o ranking serve de régua de preço para quem opera nesse mercado.
Entre os bancos e financeiras digitais, as taxas foram de 0,96% ao mês no Digio, 1,08% no Inter, 1,42% no PicPay Bank, 1,58% no C6, 1,60% na Agrolend, 1,93% no BS2 e 5,01% na SCFI Efí. O BTG Pactual cobrou 1,24%. Entre os grandes bancos de varejo, as taxas mensais foram de 1,43% no Santander, 1,49% no Itaú, 1,64% no Banco do Brasil, 1,94% no Bradesco e 2,34% na Caixa. Além do Stellantis, os bancos de montadoras aparecem entre os mais baratos, com Mercedes-Benz (1,27%) e Volkswagen (1,41%).
A mediana do levantamento ficou em 1,63% ao mês, ou 21,48% ao ano, segundo o FIDC Data. Do total, 37 instituições cobraram menos de 2% ao mês. Na outra ponta, oito praticaram taxas de 4% ao mês ou mais, quase todas sociedades de crédito, financiamento e investimento. Só sete instituições da lista cobraram menos de 14% ao ano, com a Selic em 13,75% antes da reunião do Copom de quarta-feira (4).
“Das 58 instituições do ranking, só sete cobraram menos de 14% ao ano no desconto de duplicatas, com a Selic em 13,75% antes do Copom de 4 de novembro.”
Ranking de taxas do Banco Central, semana de 13 a 19 de outubro
Para quem opera no segmento, o avanço da duplicata escritural, cujo registro centralizado reduz o risco de o mesmo título ser negociado duas vezes, é o ponto a acompanhar (leia sobre os testes da SPC Grafeno). Os FIDCs já são a fonte prioritária de funding de 65% das fintechs de crédito (leia).
Por que importa. Quase dez vezes de diferença no preço da mesma linha mostra que o desconto de duplicatas ainda é um mercado mal precificado. A fintech ou o FIDC que souber checar se a duplicata existe e se o sacado paga consegue cobrar menos que as financeiras caras e mais do que o banco, e a duplicata escritural, com registro centralizado, deixa essa checagem mais barata.
Fonte: FIDC Data, com dados do Banco Central. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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