Desenrola 3.0: União vai comprar até R$ 15 bilhões em dívidas com desconto de 90%, e FIDCs têm até 30 de outubro para ofertar carteiras
Bancos, seguradoras e fundos de direitos creditórios precisam manifestar interesse nesta semana; leilão pode levar o desconto a 97% e a compra só sai em 2027

Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: Diogo Zacarias/MF, domínio público (Wikimedia Commons)
Bancos, seguradoras e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) têm até esta sexta-feira, 30 de outubro, para apresentar ao Ministério da Fazenda as carteiras de dívidas que querem vender no Desenrola 3.0. Nesta fase, a União vai usar até R$ 15 bilhões para comprar créditos inadimplidos de pessoas físicas e MEIs com desconto mínimo de 90%, segundo o FIDC News.
A terceira edição muda a lógica do programa. Nas duas primeiras, o devedor procurava o credor e a garantia pública reduzia o risco da renegociação. Agora, a própria União compra as carteiras, assume a cobrança e renegocia com o devedor, que poderá pagar à vista ou parcelado. O programa vale até junho de 2028.
Nesta primeira rodada entram só créditos financeiros: cartão de crédito (rotativo e parcelado), cheque especial, crédito pessoal não consignado e crédito sem garantia real para MEI. As dívidas precisam ter entre dois e quatro anos e meio de atraso e valor original abaixo de R$ 10 mil. Ao se inscrever, o credor aceita vender com desconto mínimo de 90%, piso definido pela medida provisória do programa.
Quem não manifestar interesse nesta semana fica fora do leilão, previsto para o período entre o fim de novembro e o início de dezembro. A compra efetiva dos créditos só deve acontecer em 2027.
“A gente pode exigir desconto de 93%, 95% no leilão”
Dario Durigan, ministro da Fazenda
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, até R$ 90 bilhões em dívidas podem ser apresentados. O secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron, estima que comprar todo esse volume custaria no máximo R$ 9 bilhões. Como o orçamento é limitado, os credores vão competir entre si, e o desconto pode subir para 95%, 96% ou 97%. “A gente pode exigir desconto de 93%, 95% no leilão”, disse Durigan.
Para os FIDCs, o efeito vai para os dois lados. Fundos que já carregam carteiras inadimplidas ganham uma porta de saída e de liquidez para créditos que hoje pesam na provisão para devedores duvidosos e na rentabilidade das cotas subordinadas. Já os fundos especializados em comprar NPL (créditos inadimplidos) de bancos passam a ter o governo como concorrente na aquisição de carteiras de varejo de baixo valor.
Os pontos a acompanhar são o volume ofertado até 30 de outubro, as condições do edital (desconto, formato dos lotes e cronograma de liquidação) e a possível abertura para dívidas não bancárias em rodadas futuras, o que levaria o programa a carteiras de FIDCs multicedentes e de recebíveis comerciais.
Por que importa. Uma carteira com mais de dois anos de atraso costuma valer centavos, e a União vai pagar até 10% do valor de face em leilão. Para fintech de crédito e FIDC que origina empréstimo pessoal ou cartão, isso vira caixa novo para reciclar em crédito; e para quem é especialista em cobrança e recuperação, o recado é olhar as carteiras que ficarem fora do Desenrola, como as dívidas não bancárias, onde o comprador privado segue sozinho.
Fonte: FIDC News. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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