Binance pede licença de PSAV ao Banco Central e diz que quer ter mais produtos que qualquer banco no Brasil
Diretor-geral Thiago Sarandy diz que a exchange vai lançar boletos, portabilidade, transferência internacional e câmbio; prazo para pedir autorização termina nesta sexta-feira (30)

Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil. Foto: Divulgação/Binance
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, protocolou no Banco Central o pedido de licença para operar no Brasil como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV). A informação foi dada pelo diretor-geral da exchange no país, Thiago Sarandy, em entrevista à Exame publicada nesta segunda-feira (26).
Pelas regras publicadas pelo BC no ano passado, toda empresa que opera com criptoativos no país precisa pedir autorização até esta sexta-feira (30). Quem não for autorizado como PSAV perde o direito de operar e passa a ser tratado como instituição irregular.
Sarandy afirmou que a empresa quer ser uma plataforma financeira completa, e não só uma corretora de cripto. “Queremos ter mais produtos do que qualquer instituição bancária e, onde for o mesmo produto, que façamos um serviço melhor”, disse. Hoje a Binance já tem o Pay Pix, que permite pagar ou transferir em reais usando o saldo em criptomoedas, e liberou em agosto a negociação de ações e ETFs americanos para brasileiros. Segundo o executivo, em breve chegam boletos, portabilidade, transferência internacional e câmbio.
Para se tornar PSAV, a Binance adotou um modelo de duas instituições. A corretora Sim;paul, comprada em operação anunciada em 2022, passou a se chamar Binance Brasil e vai guardar os saldos em reais e em outras moedas, além de cuidar de pagamentos, ações americanas e, quando a CVM liberar, derivativos. As operações com ativos virtuais ficam com uma segunda empresa, recém-criada, a B Brasil.
“Queremos ter mais produtos do que qualquer instituição bancária e, onde for o mesmo produto, que façamos um serviço melhor”
Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil
O executivo criticou pontos da regulação. A Binance teve de deixar de oferecer margem (operação alavancada com dinheiro emprestado pela corretora) e empréstimos. “Vamos lutar por uma mudança regulatória e parceria para que um parceiro bancário nos ajude a retomar esses produtos. Para crédito já temos uma parceria”, afirmou. Para ele, o prazo foi curto demais: “Apenas 270 dias para as exchanges estarem prontas. Para instituições de pagamento foram 5 anos no total”.
Já pediram a licença de PSAV OKX, Bybit, Crown, Brasil Bitcoin, Transfero, Mazzera, PFPay, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange, segundo a Exame. Avenia, Coinbase, Foxbit, Lumx e Mercado Bitcoin devem pedir em breve. No caminho contrário, Revolut, Lemon Cash e Bitso anunciaram que deixam de oferecer cripto no Brasil, e Coinext, NovaDAX, Bity e Digitra.com encerraram as operações. Sarandy diz que a saída não é boa para a Binance, porque a maior parte desses players usava os serviços da exchange.
Por que importa. Quando a regra fica mais cara, o mercado se concentra e sobra espaço para quem vende a infraestrutura: custódia, liquidez, conformidade e parceria bancária para crédito, o mesmo que a Binance diz precisar. Para uma fintech, a oportunidade está em ser o parceiro regulado que as exchanges e as empresas menores, sem fôlego para tirar a licença sozinhas, vão contratar a partir de 30 de outubro.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Insurtech
Pier fatura R$ 200 milhões até agosto, cresce mais de 50% e chega ao breakeven
Seguradora digital de celular e carro, fundada em 2018 e com mais de US$ 50 milhões captados, soma 200 mil clientes ativos e passou a gerar caixa

- Open Finance
binds.co: quem já sofreu fraude adere 25% menos ao Open Finance, e 22,8% das vítimas param de compartilhar dados
Pesquisa com 1.609 pessoas mostra que metade já foi vítima de golpe financeiro e que 34,8% delas passaram a confiar menos nas instituições

- Lançamento
Robbin, fintech de crédito B2B com US$ 108 milhões levantados, lança MCP que entrega limite de crédito dentro do Claude e do ChatGPT
Com a ferramenta, o financeiro de uma indústria pergunta no chat e recebe em segundos o score e o limite sugerido para cada revenda que compra dela; a empresa diz ser a primeira da América Latina com um MCP de crédito

- Aquisição
Itaú compra a NeoSpace, startup de IA dos fundadores da Zup, por R$ 2,92 bilhões
Criada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira, a NeoSpace valia US$ 100 milhões em janeiro de 2025, quando o próprio Itaú liderou sua rodada de US$ 18 milhões

