Duplicata escritural já tem 233 estabelecimentos emissores, a pouco mais de dois meses da operação plena; CEO da CERC aponta três travas
Número saltou de cerca de 20 sacadores há um mês, segundo o CFO da Monkey; operação plena começa em janeiro, ainda voluntária, e o boleto dinâmico do BC deve chegar em fevereiro

Fernando Fontes, CEO da CERC. Foto: Divulgação/CERC
A duplicata escritural, versão eletrônica do título de crédito que representa as vendas a prazo entre empresas, já tem pelo menos 233 estabelecimentos cadastrados como sacadores, os fornecedores que emitem o título, segundo a base da Associação para Interoperabilidade entre Infraestruturas do Mercado Financeiro (Apiimf). O dado foi publicado pela Coluna da Broadcast, do Estadão, nesta quinta-feira (5), a pouco mais de dois meses da operação plena do sistema.
A lista inclui filiais de grandes grupos, como Nestlé, Chocolates Garoto e Grupo Petrópolis. Há cerca de um mês, eram aproximadamente 20 sacadores, de acordo com Calil Gedeon, CFO da Monkey, plataforma de antecipação de recebíveis. “As empresas não estão mais em compasso de espera ou desinformadas sobre o tema, já começaram a se mexer”, disse ao jornal.
Hoje o sistema roda em ambiente controlado, com poucas operações, nas três registradoras aptas a atuar como escrituradoras: CERC, B3 e Núclea. Em janeiro, passa à operação plena, ainda voluntária. A obrigatoriedade começa de forma escalonada a partir de julho de 2027, primeiro para as grandes empresas e depois para as menores. A partir daí, os bancos só poderão descontar duplicatas, ou seja, dar crédito com o recebível como lastro, quando elas estiverem escrituradas.
O mercado ainda considera a adesão tímida. Empresas com dívidas ativas lastreadas em duplicatas só entram depois do tombamento dos contratos existentes, e não pode haver emissão contra sacados que não estejam preparados. “Esses três fatores, tombamento, boleto dinâmico e a restrição do sacado, ainda são fatores restritivos para uma adoção mais massiva de empresas”, afirmou Fernando Fontes, CEO da CERC.
“As empresas não estão mais em compasso de espera ou desinformadas sobre o tema, já começaram a se mexer”
Calil Gedeon, CFO da Monkey, ao Estadão
O maior atrito está na liquidação: garantir que o dinheiro chegue ao credor certo quando a duplicata é repassada a um banco. A aposta é o boleto dinâmico, que o Banco Central deve colocar em operação em fevereiro. Ele fica ligado à duplicata e troca automaticamente o titular do crédito quando o recebível muda de mãos.
Pelo modelo em papel, as duplicatas movimentam de R$ 10 trilhões a R$ 13 trilhões em emissões por ano, segundo estimativas da indústria citadas pelo jornal, e acabam concentradas em poucos bancos por falta de visibilidade. “Existe uma demanda muito grande de instituições financeiras querendo operar dentro desse ecossistema, porque a segurança dele é exatamente a segurança do âncora”, disse Luiz Henrique Cineli, head de crédito da Finnet.
Por que importa. Duplicatas movimentam de R$ 10 trilhões a R$ 13 trilhões por ano e hoje ficam concentradas em poucos bancos. Com o título registrado e visível para todo o mercado, fintechs de crédito e FIDCs passam a poder disputar a antecipação desses recebíveis, e quem estiver integrada às registradoras quando a obrigatoriedade chegar, em julho de 2027, entra num mercado que até agora ficava nas mãos de poucos.
Fonte: Estadão (Coluna da Broadcast). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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