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CRÉDITO PRIVADO

Euro17, dona da Euro Securitizadora, pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,72 bilhão e 5.034 credores

Grupo da Faria Lima financiou crédito pessoal a 18% ao mês com R$ 1,28 bilhão em debêntures privadas vendidas a cerca de 4 mil pessoas físicas, sem FIDC e sem agente fiduciário

Por Redação Mundo das Fintechs · 24/10/2026 · 3 min de leitura
Euro17, dona da Euro Securitizadora, pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,72 bilhão e…

Foto: Agent010/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Grupo Euro17, controlado por Ik Cavalcanti Albuquerque e com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo, pediu recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, com passivo declarado de R$ 1,72 bilhão e 5.034 credores. O pedido reúne oito empresas do grupo, entre elas a Euro Securitizadora e a Prime Euro Securitizadora, emissoras dos títulos. A informação foi revelada pelo NeoFeed e confirmada pela Folha nesta sexta-feira (23).

Segundo a petição, a carteira de crédito foi financiada “em sua quase totalidade” com R$ 1,28 bilhão em debêntures privadas vendidas diretamente a cerca de 4 mil investidores pessoa física, em 9.393 contratos, com remuneração média de 1,62% a 1,66% ao mês e prazos de 12 a 48 meses. Em 73% do estoque, juros e principal só seriam pagos no vencimento. Os papéis eram subordinados, sem garantia real, sem agente fiduciário independente e sem um FIDC que separasse a carteira do balanço da securitizadora.

O negócio começou em 2017 com desconto de duplicatas e capital de giro para empresas. Depois da pandemia, o grupo passou a conceder crédito pessoal 100% digital às classes C e D, com taxa média de 18% ao mês e prazos de 12 a 18 meses. Diz ter atendido mais de 1,5 milhão de clientes e intermediado mais de R$ 2 bilhões em cerca de 500 mil contratos.

As captações cresceram em média 67% ao ano entre 2021 e 2025 e chegaram a R$ 500 milhões no ano passado. Em 2026, a média mensal caiu de R$ 41,7 milhões para R$ 25,3 milhões no primeiro semestre, e para R$ 15,3 milhões em junho. Do outro lado, há R$ 1,46 bilhão em debêntures a vencer, dos quais R$ 1,07 bilhão entre julho de 2026 e dezembro de 2027. O grupo estima uma saída líquida de caixa de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por mês.

“A Justiça negou a proteção antecipada pedida antes da recuperação, e o grupo voltou a pedi-la junto com o pedido principal, sem decisão até agora. Enquanto isso, cobranças e bloqueios continuam.”

Mariana Zonenschein, advogada empresarial, ao NeoFeed

A empresa atribui a crise à alta da inadimplência da carteira e ao contágio do caso Banco Master: a parcela de debenturistas que pedia resgate no vencimento, historicamente de 30% a 35%, chegou a 60% a 65%. Para o grupo, o problema é o descasamento entre os prazos da captação e da carteira, e não a inviabilidade do negócio.

O caminho até o pedido foi longe dos credores. Em 2 de outubro, o grupo entrou com uma cautelar pedindo a suspensão das cobranças por 60 dias e segredo de justiça. Em 13 de outubro, a juíza Isadora Botti Beraldo Moro negou as duas coisas, e três dias depois o pedido de recuperação foi formalizado. Os credores só souberam por uma certidão de 21 de outubro. Se o pedido for aceito, as execuções ficam suspensas por 180 dias e a empresa terá 60 dias para apresentar o plano. Procurados pelo NeoFeed, a Euro17 e o escritório que a representa não responderam.

Por que importa. crédito pessoal a 18% ao mês dá margem, mas quem paga a conta é o funding. A Euro17 captou com debênture de pessoa física, curta e sem separação da carteira, e quebrou quando os resgates dobraram. A fintech de crédito que estrutura o funding num FIDC, com prazo casado com a carteira e administrador independente, ganha a confiança do investidor que ficou com medo depois desse caso.

Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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