Rodrigo Dantas, fundador da Vindi, trocou a operação de fintech por café e vinho: primeiro lote de 100 garrafas acabou em 8 horas
Ex-executivo do Itaú que comandou a Vindi por dez anos, até a venda para a Locaweb em 2021, hoje é investidor-anjo e conselheiro e diz que CRM e meios de pagamento já têm soluções de sobra

Rodrigo Dantas, fundador da Vindi. Foto: Divulgação
Rodrigo Dantas, fundador da Vindi, empresa de cobrança recorrente vendida à Locaweb em 2021, contou em entrevista à Startups como trocou a operação de fintech pelo investimento-anjo, por uma fazenda de café e por uma marca própria de vinho brasileiro. O primeiro lote, de 100 garrafas, foi vendido em oito horas.
Dantas conta que passou 14 anos no Itaú e saiu como executivo para fundar a Vindi em 2013, quando viu espaço em meios de pagamento, especialmente em billing e cobrança recorrente. A Vindi chegou a registrar o termo “economia da recorrência”, que reúne plano, mensalidade e assinatura. Segundo ele, foram dez anos à frente da operação, até a venda para a Locaweb, em 2021.
“No Brasil, 70% do PIB vem de serviços, e boa parte deles envolve mensalidade, plano ou assinatura: conta de luz, conta de água, escola, parcelamento de crédito. Tudo acaba funcionando como um negócio recorrente. Nós nos especializamos nesse modelo, e deu muito certo”, disse.
Ao longo da jornada, virou investidor-anjo de startups de amigos. O critério, segundo ele, é investir só em pessoas com quem consegue ter uma relação fora do trabalho. Em 2023, comprou uma fazenda de café desativada em Espírito Santo do Pinhal (SP), que descreve como um laboratório para tornar produtivo um negócio parado. Na região, testou uma marca própria de vinho com a vinícola L’Origine.
“No Brasil, 70% do PIB vem de serviços, e boa parte deles envolve mensalidade, plano ou assinatura (...). Nós nos especializamos nesse modelo, e deu muito certo.”
Rodrigo Dantas, fundador da Vindi
Sobre o mercado de inovação, Dantas avalia que setores como CRM e meios de pagamento já têm soluções de sobra e que os problemas a resolver estão em segurança, infraestrutura, saúde e educação. Ele diz que ainda é prematuro afirmar que voltará a empreender em tecnologia e que, por enquanto, segue como conselheiro.
Por que importa. A Vindi mostra que dá para construir uma fintech que vira aquisição se especializando em um só pedaço do dinheiro: a cobrança de mensalidades, planos e assinaturas, que, pelas contas do próprio fundador, está em boa parte dos serviços que somam 70% do PIB. A empresa foi comprada pela Locaweb em 2021. E Dantas aponta onde ainda há espaço para ganhar: CRM e meios de pagamento já têm soluções de sobra, enquanto segurança, infraestrutura, saúde e educação seguem cheios de problemas a resolver.
Fonte: Startups. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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