Fin: Pix e bancarização encurtam distância entre regiões, e crédito por pessoa cresce 7% nos estados mais pobres
Estudo da Confederação Nacional das Instituições Financeiras mostra que o Pix avançou mais onde o crédito pesava menos; Norte teve alta de 20,8% em bancarizados

Vinícius Botelho, gerente de assuntos econômicos da Fin. Foto: Reprodução/Conjuntura Econômica (FGV IBRE)
O acesso a serviços financeiros está ficando menos desigual entre as regiões do Brasil, e o Pix pode ter ajudado nesse movimento. É o que aponta estudo da Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras) divulgado pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (29). Entre 2020 e 2025, o uso do Pix cresceu mais nos estados onde o crédito tinha menor peso na economia no início do período.
O autor do estudo, Vinícius Botelho, gerente de assuntos econômicos da Fin, afirma que o Pix cria um efeito de rede: quanto mais gente usa, maior o incentivo para que outras pessoas entrem no sistema bancário. Ele pondera que as causas da redução das desigualdades regionais ainda não estão totalmente esclarecidas. Só em setembro, o Pix movimentou R$ 3,8 trilhões.
Até 2024, pelo menos 94% dos adultos brasileiros tinham relacionamento ativo com o sistema financeiro. O Norte teve o maior avanço de pessoas bancarizadas entre 2020 e 2024, com alta de 20,8%, seguido pelo Nordeste, com 13,3%. A atividade financeira cresceu acima da economia local em 21 dos 27 estados entre 2022 e 2023: no Norte, o setor avançou 12,2%, contra 2,9% do PIB regional; no Centro-Oeste, 11,9%, contra 8,1%.
O crédito por habitante também cresceu mais onde era menor. Entre 2024 e 2025, o volume real avançou em média 7% nos estados com menos de R$ 20 mil por pessoa em 2024, contra 4% nos demais. Na média das 27 unidades da federação, a alta foi de 5,6%, com as pessoas físicas respondendo por cerca de três quartos da expansão (4,3 pontos percentuais) e as empresas por 1,3 ponto. O financiamento imobiliário foi o principal motor em 18 estados.
“O Pix pode ter acelerado a inclusão financeira ao tornar mais vantajoso entrar no sistema bancário.”
Vinícius Botelho, gerente de assuntos econômicos da Fin, segundo a Folha de S.Paulo
O crédito para pessoas físicas subiu em todos os estados, enquanto o destinado a empresas variou de queda de 8% a alta de 19%. As emissões de debêntures e notas comerciais cresceram em todas as macrorregiões entre 2023 e 2025, com avanço real anualizado de pelo menos 50% no Norte e no Sul.
Por que importa. O cliente novo do sistema financeiro está no Norte e no Nordeste, onde o Pix já fez o trabalho de trazê-lo para dentro e o crédito por pessoa ainda é baixo. Para uma fintech, isso é mercado aberto: quem oferecer crédito, conta PJ ou maquininha pensados para esse público, que já paga por Pix mas ainda não tem banco que o atenda bem, pega uma demanda que os grandes bancos deixaram para depois.
Fonte: Folha de S.Paulo. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Banco Central
MW Pay, instituição de pagamento de Joinville com acesso direto ao Pix, é liquidada pelo Banco Central
BC aponta graves violações às normas do sistema de pagamentos; bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis. É a liquidação de número próximo de 20 no ano

- Gente
Cedro Technologies, que há 20 anos faz tecnologia para bancos, corretoras e fintechs, contrata João Alvarenga, ex-TecBan e Lina, como vice-presidente
Executivo volta à empresa de Uberlândia para comandar a estratégia e a evolução de produtos e negócios

- Cripto
Inter protocola no BC pedido da Inter Digital Assets a 2 dias do prazo; Ripple também pede e lista chega a 24 empresas
Banco digital formaliza sua operação de ativos digitais no novo marco do setor; quem não protocolar até sexta (30) perde o direito de seguir operando durante a análise

- Rodada
FinMaq capta US$ 6,5 milhões em Série A liderada pela Accion para financiar máquinas de pequenas empresas na Colômbia
Fintech colombiana já desembolsou mais de US$ 100 milhões desde 2019 e quer passar de US$ 200 milhões e somar 5 mil clientes novos em 18 meses

