FINU11, fundo imobiliário das centrais do Sicoob gerido pela MAG, estreia em loteamento de R$ 161 milhões e mira R$ 1 bilhão
Criado pela Central Sicoob Uni e pelo Sicoob Nova Central com R$ 100 milhões, o FII é o primeiro a usar dinheiro de cooperativas para financiar incorporadoras e loteadoras, segundo a gestora

Loteamento da ABMais Urbanismo em outra cidade, não o de Catanduva. Imagem: Divulgação/ABMais
O FINU11, fundo de investimento imobiliário criado pela Central Sicoob Uni e pelo Sicoob Nova Central e gerido pela MAG Investimentos, fechou na sexta-feira (30) sua primeira operação: um loteamento residencial fechado da ABMais Urbanismo em Catanduva, no interior de São Paulo, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 161 milhões e 680 lotes, segundo o Valor Econômico. O fundo nasceu com aporte inicial de R$ 100 milhões e pretende movimentar até R$ 1 bilhão em operações imobiliárias nos próximos meses.
Segundo a MAG, é a primeira vez que um fundo imobiliário usa recursos de cooperativas como fonte de financiamento para incorporadoras e loteadoras. A operação com a ABMais foi estruturada como participação no capital com remuneração preferencial para o fundo, e o loteamento é voltado a compradores de renda alta e média-alta. O FINU11 tem raízes em Goiás, onde estão as centrais fundadoras, mas pode investir em projetos de todo o país.
“O FII nasce em um momento de transformação das fontes de financiamento do setor imobiliário e busca conectar capital e projetos por meio de estruturas mais adequadas às características de cada empreendimento. Para a MAG, esta iniciativa com as centrais do Sicoob levará acesso ao mercado de capitais para muitos cooperados”, afirmou Tomaz de Gouvêa, sócio-diretor da MAG Investimentos, gestora do grupo Mongeral Aegon.
Para Argemiro Mendonça, vice-presidente da Central Sicoob Uni, o sistema de habitação do país está “sufocado”. “O FGTS (...) e o SBPE (...), que sempre irrigaram o setor, estão desidratados”, disse, citando o uso de recursos do FGTS em despesas correntes e a perda de interesse pela caderneta de poupança.
“O FGTS (...) e o SBPE (...), que sempre irrigaram o setor, estão desidratados”
Argemiro Mendonça, vice-presidente da Central Sicoob Uni
Ioav Blanche, presidente do conselho de administração do Sicoob Secovicred, cooperativa filiada ao Sicoob Nova Central, disse que o projeto quebra a ideia de que o cooperativismo financeiro deve se limitar ao crédito tradicional. “Estamos consolidando esse projeto, com muito investimento de tempo e recursos. E nesse contexto, fechar negócios é um indicativo que estamos no caminho certo”, afirmou.
O movimento acontece num ano forte para o mercado de capitais: no primeiro semestre de 2026, as captações passaram de R$ 360 bilhões, o melhor resultado para o período em 15 anos da série da Anbima.
Por que importa. Com a poupança e o FGTS encolhendo, incorporadoras e loteadoras procuram outras fontes de financiamento. Quem souber originar, estruturar e distribuir esse crédito via fundo, para cooperativas, gestoras ou investidores pequenos, ganha taxa de estruturação, de gestão e de distribuição num mercado que está procurando uma nova fonte de dinheiro.
Fonte: Valor Econômico e Central Sicoob Uni. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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