Receita diz que comprar e vender stablecoins no exterior, por si só, não é câmbio e não gera IOF de câmbio
Solução de Consulta 218, publicada no Diário Oficial nesta sexta (6), faz uma ressalva: se houver operação de câmbio no caminho, o imposto incide

Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento. Foto: Divulgação/Banco Rendimento
A Receita Federal afirmou que a compra, a venda ou a troca de stablecoins no exterior, por si sós, não são operação de câmbio e, por isso, não geram IOF sobre câmbio. O entendimento sobre IOF em stablecoin está na Solução de Consulta nº 218, da Coordenação-Geral de Tributação, assinada em 5 de novembro e publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6), como noticiou o Atlas Público. Stablecoins são moedas digitais atreladas a uma moeda tradicional, em geral o dólar.
O texto faz uma ressalva: o imposto incide se, para fazer a negociação, for usada uma operação de câmbio, aquela em que há entrega das duas moedas, a nacional e a estrangeira, de acordo com as normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. A mesma solução diz que a movimentação pura e simples de contas em reais de não residentes no Brasil também não é operação de câmbio. A base legal citada é o artigo 63 do Código Tributário Nacional, a Lei 8.894, de 1994, e o Decreto 6.306, de 2007, que regulamenta o IOF.
O tema mexe com fintechs que vendem dólar digital a brasileiros. Em outubro, Alec Howard, fundador e CEO da Ruvo, conta global que junta Pix e stablecoins, disse ao Startups que a compra de stablecoins é isenta de IOF pela interpretação regulatória adotada pela fintech. No fim de outubro, segundo a Finsiders Brasil, a Febraban ainda avaliava com tributaristas se havia IOF na compra de stablecoins com moeda estrangeira, e o Banco Rendimento, que tem Jacques Zylbergeld como superintendente de câmbio, estudava usar stablecoins e blockchain nas operações de câmbio.
Uma solução de consulta é a resposta da Receita à dúvida de um contribuinte; não é lei nem resolução nova. O ponto prático está na ressalva: onde real e moeda estrangeira trocam de mãos numa operação de câmbio, o IOF continua.
“Se houver mudança em torno do IOF com stablecoins, fomos construídos para acomodar isso”
Alec Howard, fundador e CEO da Ruvo, ao Startups em outubro
Por que importa. Para quem monta fintech de conta global ou de pagamentos internacionais, imposto é parte do preço que o cliente paga. A Receita deixou por escrito que a troca de stablecoins no exterior, sozinha, não paga IOF de câmbio, mas que a operação de câmbio continua tributada. Quem desenhar o produto sabendo exatamente em que etapa há câmbio consegue mostrar ao cliente o custo de cada passo, e isso vira argumento de venda num mercado em que o IOF pesa na conta.
Fonte: Diário Oficial da União (Receita Federal). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Crédito
PicPay e crédito: CFO André Cazotto quer levar fatia nos clientes de 5% para até 12% e descarta EUA
Banco digital fica com só 5% a 6% do crédito que seus clientes tomam no mercado, tem 45 milhões de contas ativas e custo de cerca de US$ 1 por cliente ao mês; expansão fora do Brasil fica para depois de pelo menos dois a três anos

- Consórcio
Concash, do BTG, vê venda de cota de consórcio fechar em 71,9% dos casos com mais de 40% do contrato pago
Levantamento com mais de 13 mil negociações em 2026 mostra que a venda de cota não é só saída de quem não consegue pagar; entre contratos com até 2% pagos, a conversão foi de 50,5%

- Crédito privado
Grupo Lev emite R$ 65 milhões em notas comerciais com Itaú BBA e Santander e troca o Finimp pelo mercado de capitais
Dona das bicicletas elétricas Lev e das scooters Onn pagou CDI mais 3,9% ao ano por quatro anos, espera cortar R$ 10 milhões por ano em juros e se prepara para receber um sócio

- Tecnologia
Zup, do grupo Itaú, vira parceira Select da Anthropic e cresce 31% em receita de novos clientes em 2026
Empresa de tecnologia com faturamento acima de R$ 1 bilhão atende mais de 60 clientes, como Itaú, Porto e Ouribank, e já certificou 92% do quadro em inteligência artificial

