IA generativa do Itaú: ia.i tem 79% de avaliações positivas no primeiro acesso; banco soma cerca de 20 patentes
No Meetup Itaú Tech, executivos de tecnologia do banco detalharam a arquitetura por trás do assistente, o corte no custo por token e um erro curioso dos testes: a IA confundiu o lance do futebol com o lance do consórcio

Aline Pavan, superintendente de Tecnologia do Itaú (Reprodução/TI Inside)
A IA generativa do Itaú já tem um primeiro número de aprovação. A experiência de boas-vindas da ia.i, assistente conversacional do banco, registra 79% de avaliações positivas dos clientes, segundo Aline Pavan, superintendente de Tecnologia do Itaú Unibanco e Community CIO da ia.i. Os dados foram apresentados no Meetup Itaú Tech e publicados pelo TI Inside em 30 de outubro e nesta terça-feira (3).
No primeiro acesso, o assistente lê as transações e os hábitos de consumo do cliente e devolve um retrato do seu perfil financeiro, que vai além de gastos, débitos e faturas e chega a gostos, hobbies e preferências. “Não é mais olhar ali dentro de um cluster, é olhar a Aline através das individualidades dela, uma lente única”, disse a executiva. Segundo ela, o produto tem cerca de dois meses de lançamento e ainda não está disponível para toda a base: a liberação é feita por etapas.
A ia.i se apoia em três pilares, segundo o banco: interatividade, multimodalidade (texto, voz, imagens e documentos) e individualidade. Além da gestão financeira e de dúvidas sobre produtos, já faz Pix. Um cliente que diga que quer comprar um carro, por exemplo, pode receber alternativas como financiamento, consórcio ou resgate de investimentos.
Por trás do assistente, Ricardo Coelho, superintendente de Tecnologia e Arquitetura de IA do Itaú, descreveu uma arquitetura de dados em datamesh, em que cada área de negócio responde pelos próprios dados e as equipes os consomem por autosserviço, e uma plataforma corporativa de agentes que combina modelos de linguagem de fornecedores externos com modelos especializados do banco. Segundo ele, o Itaú tem conseguido reduzir o custo por token das soluções e ampliar o número de iniciativas em produção. “Se os dados forem errados, se eles não tiverem a representação correta dos relacionamentos, é quase certo que eles vão tomar decisões erradas ou responder coisas erradas com muita convicção”, afirmou.
“A gente acredita que deixa de ser um banco transacional e passa a ser mais um banco consultivo, um banco que está mais presente, ouvindo o cliente.”
Aline Pavan, superintendente de Tecnologia do Itaú Unibanco, segundo o TI Inside
Os testes mostraram o tamanho do desafio. Numa conversa sobre futebol, a ferramenta respondeu com informações de consórcio, porque interpretou a palavra “lance” no sentido financeiro. Para evitar esse tipo de erro, o banco investe em glossários, taxonomias, ontologias e grafos de conhecimento do negócio bancário. Segundo Aline, o Itaú já tem cerca de 20 patentes publicadas ligadas ao tema, e o atendimento humano continua disponível: o cliente pode recorrer ao gerente quando quiser.
Em outubro, o Mundo das Fintechs mostrou que o CEO Milton Maluhy prometeu levar a IA a 100% dos clientes até o fim do ano, quando 3 milhões já a usavam, e que a ia.i usa modelos da OpenAI, entre outros.
Por que importa. a IA conversacional que lê o extrato e responde como um assessor deixou de ser exclusividade de bancão. Fintech que vende essa camada pronta para bancos médios, cooperativas e carteiras digitais, com dados organizados e proteção contra respostas erradas, tem cliente esperando, e quem já opera crédito pode usar o perfil individual para oferecer o produto certo na hora certa.
Fonte: TI Inside. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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