Leste e EQI lançam fundo de até R$ 400 milhões para financiar construção e reforma de casas nos EUA
Leste Crédito Internacional 2 é o quinto veículo da parceria entre a gestora de Emmanuel Hermann e a EQI Investimentos, que deve passar de R$ 1 bilhão captado; alvo é CDI + 2,5% ao ano, bruto e sem garantia

Roberto Varaschin, cofundador e diretor da EQI Investimentos. Foto: EQI/Divulgação
A gestora Leste e a EQI Investimentos lançam o fundo Leste Crédito Internacional 2, que quer captar até R$ 400 milhões com investidores brasileiros para financiar construção e reforma de casas e o refinanciamento de prédios residenciais de aluguel (multifamily) nos Estados Unidos, como mostrou o blog Capital, do jornal O Globo, nesta sexta-feira (6). A Leste é a gestora de investimentos alternativos de Emmanuel Hermann, ex-sócio do BTG Pactual.
A oferta inicial é de R$ 300 milhões. É o quinto veículo lançado pelas duas casas em parceria, e, com ele, a associação deve superar R$ 1 bilhão em captação. O fundo dá acesso a duas estratégias de crédito imobiliário nos EUA: empréstimos de curto prazo para incorporadoras que constroem ou reformam casas e crédito para refinanciar edifícios multifamily já concluídos.
Segundo o Grupo Leste, sua plataforma de crédito residencial já originou US$ 1,6 bilhão em 1.641 empréstimos para 829 incorporadores, em 42 estados americanos. “Nós gostamos da tese imobiliária nos EUA porque há um problema estrutural de déficit de imóveis no país”, disse ao O Globo Guilherme Loiacono, sócio e diretor comercial do Grupo Leste, baseado em Miami. Segundo ele, os empréstimos são feitos de forma pulverizada.
A distribuição é exclusiva para a base da EQI, que diz ter R$ 57 bilhões sob custódia e mais de 100 mil clientes ativos. O fundo é para investidores qualificados (pelo menos R$ 1 milhão em patrimônio financeiro) e profissionais. Estruturado em reais, tem aplicação mínima de R$ 1 mil, prazo estimado de três anos e amortizações previstas a partir do 12º mês, conforme a liquidação dos ativos. A rentabilidade-alvo é de CDI mais 2,5% ao ano, uma projeção interna do gestor, bruta de impostos e taxas, que pode não se concretizar.
“Pode acontecer de ter algum solavanco de risco, mas a estrutura de subordinação protege o investidor da volatilidade”
Roberto Varaschin, cofundador e diretor da EQI Investimentos, ao O Globo
O dinheiro vai para uma estrutura offshore com 80% de cotas sênior e 20% de cotas subordinadas, e haverá hedge cambial para reduzir o efeito do dólar sobre o retorno em reais. A cota sênior, que tem prioridade para receber e é a última a absorver perdas, fica com os clientes da EQI; a subordinada, última na fila para receber, fica com a Leste. “Pode acontecer de ter algum solavanco de risco, mas a estrutura de subordinação protege o investidor da volatilidade”, disse Roberto Varaschin, cofundador e diretor da EQI Investimentos. Segundo ele, o apetite do investidor brasileiro por esse tipo de produto acelerou, e o possível fim da isenção de imposto de LCI e LCA tende a aumentar a procura por alternativas.
Por que importa. O fundo mostra um modelo que dá dinheiro dos dois lados: quem tem a base de clientes (a EQI) ganha na distribuição, e quem origina o crédito (a Leste) fica com a cota subordinada, a última na fila para receber, e põe o próprio dinheiro em risco junto com o cliente. Para uma fintech ou plataforma de investimento brasileira, a oportunidade é ser a ponte entre o investidor daqui, que quer diversificar fora do país, e originadores de crédito lá fora, cobrando pela estruturação, distribuição e câmbio.
Fonte: O Globo (blog Capital). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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