Transfero, Lumx e Bloquo estão entre as 38 empresas que pedem licença de cripto ao BC; Coinext, NovaDAX, Bity e Digitra deixam o varejo
Capital mínimo, compliance e auditoria pesam mais para as corretoras menores; ABCripto e Silva Lopes Advogados veem consolidação, parcerias e modelo de cripto como serviço

Diego Perez, vice-presidente da ABCripto. Foto: Divulgação
A um dia do fim do prazo para pedir a licença de Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), 38 empresas já protocolaram pedidos de autorização no Banco Central até esta quinta-feira (29), segundo o monitor SPSAV da Cainvest citado pelo Finsiders. O número fica bem abaixo das cerca de 100 empresas que o BC previa inicialmente para o segmento. O prazo termina nesta sexta-feira (30).
Na lista oficial do BC, o número chegava a sete: PFPAY, Masterpay, W Brasil (Want Import), Onda Finance, Wynx Exchange, Transfero e Mazzera. Outros nomes anunciaram o pedido por conta própria, como Crown, OKX, Bybit, Binance, Ripple, Ripio, Mercado Bitcoin, Urban, SuitCoin e Velaro. Cerca de metade dos pedidos vem de quem já intermedeia cripto, como Transfero, Nonco, Lumx, Bloquo e Avenia. Itaú, Inter, Nubank e Braza Bank, já autorizados pelo BC, seguiram o rito de comunicação. O regulador já indeferiu um pedido, o da Higherway Tech Soluções.
Do outro lado, há quem saia. A Revolut encerra a cripto para clientes brasileiros, a Bitso deixou o atendimento direto ao varejo e migrou clientes para o Mercado Bitcoin, e Coinext, NovaDAX, Bity e Digitra.com anunciaram ou iniciaram o fim das operações como exchange, com cronogramas diferentes. A Bity oferece migração para o Mercado Bitcoin ou para a Bipa. “Os casos mostram alternativas à venda societária: encerramento ordenado, migração facilitada de clientes e concentração em outras frentes de negócio”, disse Fabiano Ferreira, professor da FBM Educação e do Insper.
“Nas menores, os custos fixos de equipes, sistemas e controles tendem a representar uma parcela maior da receita, o que pode exigir novos aportes, parcerias ou mudanças no modelo de negócio”, disse Diego Perez, vice-presidente e diretor de relações institucionais da ABCripto. Entre os custos estão capital e patrimônio líquido mínimos, compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança cibernética, segregação dos ativos dos clientes, prova de reservas e auditoria independente.
“Veremos empresas que decidirão realizar o investimento necessário para obter autorização e empresas que buscarão parceiros estratégicos, como num modelo de cripto as a service”
Andressa Dulor, gestora de compliance regulatório do Silva Lopes Advogados, ao Finsiders
Andressa Dulor, do Silva Lopes Advogados, diz que haverá empresas investindo para obter a licença e outras buscando parceiros num modelo de cripto como serviço, que o BC já acompanha. O pedido não equivale à autorização: na primeira fase, a empresa prova que já atuava e apresenta três exercícios de histórico; aprovada, tem 60 dias para entregar governança, plano de negócios e capacidade financeira dos controladores. As regras estão nas Resoluções BCB 519, 520 e 521 e na Instrução Normativa BCB 704.
Por que importa. Com capital mínimo, auditoria e compliance caros, montar uma corretora de cripto do zero ficou para poucos, mas a demanda dos clientes continua. Quem tem a licença pode alugar a estrutura regulada para fintechs, bancos e varejistas no modelo de cripto como serviço, e quem fica de fora vira comprador dela ou alvo de aquisição: as duas pontas são negócio.
Fonte: Finsiders. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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