Liqi lança o Agente Marcos, IA que precifica créditos judiciais de FIDCs, e acha R$ 26,4 bilhões em ações atingidas pela nova regra
Ferramenta da empresa que tem Itaú BBA, Oliveira Trust, Galapagos e Pátria como sócios mira gestoras, administradoras e auditores, que têm até 4 de janeiro de 2027 para cumprir a Resolução CMN 5.343

Foto: Divulgação/Liqi (Olavo Meyer, diretor de operações)
A Liqi, empresa de infraestrutura para o mercado de capitais que tem Itaú BBA, Oliveira Trust, Galapagos Capital e Pátria entre os sócios, lançou o Agente Marcos, ferramenta de inteligência artificial que acompanha a carteira judicial de FIDCs, informou a Capital Aberto nesta quinta-feira (29). O produto é voltado a gestoras, administradoras e auditores, que têm até 4 de janeiro de 2027 para se adaptar à Resolução CMN 5.343.
Publicada em 24 de setembro, a resolução proíbe, desde 13 de outubro, que os FIDCs comprem créditos de ações judiciais e arbitragens sem decisão definitiva. O estoque já adquirido não precisa ser vendido, mas passa a exigir precificação que terceiros consigam verificar, reavaliação a cada fato processual relevante, auditoria e divulgação mensal, processo a processo.
Dados da Fazenda e do CMN mostram que os FIDCs tinham R$ 35,2 bilhões em exposição a ações judiciais em julho, numa indústria que somava R$ 902,2 bilhões em setembro, segundo a Anbima. ABVCAP, ANFIDC e outras entidades pediram a suspensão da norma ou o adiamento da vigência.
Um dia depois da publicação, o Tomé, agente da Liqi que lê os documentos enviados pelos fundos à CVM, cruzou carteiras e regulamentos e achou 543 FIDCs com direitos de origem judicial. Em 229 deles, as ações somam R$ 26,4 bilhões. Os precatórios, outros R$ 34,1 bilhões, em geral já têm decisão definitiva e ficam fora da proibição.
“A regra não obriga ninguém a vender a carteira. Obriga a saber, crédito a crédito, o que se tem”
Daniel Coquieri, fundador e CEO da Liqi
O Marcos usa o mesmo motor de leitura do Tomé, que indica a página e o trecho de cada informação. A carteira entra pela planilha que a administradora já envia, e o sistema coleta todo dia os andamentos nas fontes públicas do Judiciário. Quando uma penhora ou uma sentença muda o valor de um crédito, o gestor recebe um alerta com a prova e o valor antes e depois. Leituras duvidosas vão para uma fila e só mexem no preço depois de conferência humana, e a IA não calcula valores: eles seguem a régua definida pelo gestor.
“A primeira pergunta do auditor será de onde saiu cada número. A resposta tem de estar nos autos, com data e página”, diz Olavo Meyer, diretor de operações da Liqi. Mudanças na régua dependem da aprovação de um segundo gestor e não reescrevem o histórico. Os módulos de patrimônio, cobrança, pacote para auditores e API ainda estão em desenvolvimento, e o Marcos, em fase de testes, abre agora a agenda de demonstrações.
Fundada em 2021 por Daniel Coquieri, a Liqi já estruturou mais de R$ 4,6 bilhões em operações tokenizadas e lançou em janeiro a BRLD, stablecoin em reais para uso institucional. A empresa fechou 2025 com receita de R$ 10 milhões e planeja chegar a R$ 25 milhões em 2026. “A regra não obriga ninguém a vender a carteira. Obriga a saber, crédito a crédito, o que se tem”, afirma Coquieri.
Por que importa. Por que importa: toda regra nova cria uma obrigação que alguém vai pagar para cumprir. Com 543 FIDCs tendo de reprecificar e auditar créditos judiciais todo mês, a fintech que vende essa conferência pronta, por assinatura, ganha um cliente cativo em cada gestora e administradora do país.
Fonte: Capital Aberto. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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