Itaú BBA corta preço-alvo do Nubank para 15 dólares e vê risco no lucro com as novas regras de crédito do BC
Analistas mantêm recomendação neutra, projetam carteira crescendo 26% em 2027, ante 37% hoje, e ficam 19% abaixo do consenso de lucro

David Vélez, fundador e CEO do Nubank, no Web Summit Rio 2023. Foto: Sam Barnes/Web Summit Rio (CC BY 2.0)/Wikimedia Commons
O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações do Nubank de US$ 18 para US$ 15 e manteve a recomendação neutra (market perform), informou o Estadão/Broadcast nesta quinta-feira (29). O relatório, assinado pelos analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, avalia que a queda recente dos papéis ainda não abriu um ponto de entrada e que há risco de nova baixa puxada pelo lucro.
O novo valor justo indica alta de 25,3% sobre o fechamento anterior, mas, para o banco, isso não compensa os riscos. Os analistas cortaram as estimativas em mais 4% e ficaram 19% abaixo do consenso de lucro para 2027 e 22% abaixo para 2028. O Nubank negocia a 13,5 vezes o lucro estimado de 2027, múltiplo que o Itaú BBA não considera atrativo.
Segundo o relatório, a expectativa para o terceiro trimestre já é alta depois de a administração indicar que pretende manter a margem líquida ajustada ao risco perto de 12%. Isso abre espaço para frustração se as perdas de crédito subirem ou se a receita de juros desacelerar.
O Itaú BBA cita também as resoluções 601, 602 e 603 do Banco Central, publicadas na sexta-feira (23), que restringem a oferta de crédito não solicitada a clientes vulneráveis, aumentam a transparência sobre o endividamento total e criam regras para o crédito no Pix. Na apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, o BC sinalizou que novas medidas podem vir ainda em 2026.
“O banco tem parcela relevante da carteira em cartões e empréstimos pessoais sem garantia e cresceu com ofertas digitais para o mercado de massa”
Relatório do Itaú BBA, segundo o Estadão/Broadcast
Para os analistas, as regras pesam mais sobre o Nubank porque o banco tem parcela relevante da carteira em cartões e empréstimos pessoais sem garantia e cresceu com ofertas digitais para o mercado de massa. O relatório aponta ainda deterioração do crédito das famílias, com inflação acima do esperado, previsão de mais desemprego em 2027 e comprometimento de renda com dívida em nível recorde.
A projeção é de desaceleração do crescimento da carteira para 26% em 2027, ante o ritmo atual de 37%, com o México ainda pequeno para compensar. As margens também devem perder fôlego com a migração para clientes de maior renda, e as despesas seguem pressionadas pelos investimentos internacionais.
Por que importa. o crédito sem garantia para o público de massa ficou mais caro de regular, e isso abre espaço para quem empresta com garantia. Consignado, antecipação de recebíveis e crédito com lastro em salário, Pix ou estoque são os nichos em que uma fintech menor consegue crescer enquanto os grandes freiam o cartão e o empréstimo pessoal.
Fonte: Estadão/Broadcast. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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