Nubank sozinho passa os cinco maiores bancos em chaves Pix de empresas, e instituições de pagamento já têm 51,1%
Dados abertos do Banco Central mostram 51,2 milhões de chaves de pessoas jurídicas em setembro; Mercado Pago cresceu 52% em 12 meses e Stone, 38%

David Vélez, fundador e CEO do Nubank. Foto: Sam Barnes/Web Summit Rio via Sportsfile, CC BY 2.0 (Wikimedia Commons)
As instituições de pagamento já concentram 51,1% das chaves Pix registradas por empresas no Brasil, contra 36,5% dos bancos e 9,3% das cooperativas de crédito. O dado está num levantamento publicado nesta quarta-feira (28) pelo Portal Contábeis, feito com os dados abertos do Pix do Banco Central, na posição de 30 de setembro de 2026. Um ano antes, a fatia das instituições de pagamento era de 48%.
No fim de setembro havia 51,2 milhões de chaves Pix de pessoas jurídicas. O Nubank, cujas contas ficam na Nu Pagamentos, uma instituição de pagamento, sozinho tem 11,8 milhões, ou 23,1% do total. É mais do que Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa somados, que têm 11,3 milhões.
Em 12 meses, as chaves Pix de empresas cresceram 22%. Nas instituições de pagamento o avanço foi maior: Mercado Pago (+52%), Stone (+38%), InfinitePay (+31%) e Nubank (+29%). Nos grandes bancos de varejo, foi menor: Itaú (+19%), Banco do Brasil (+4%), Bradesco e Santander (+3%) e Caixa (-2%). A fatia das instituições de pagamento passou de metade em fevereiro de 2026 e ficou acima disso desde então.
Chave Pix não é conta nem saldo: uma conta de pessoa jurídica pode ter até 20 chaves, e a mesma empresa pode ter contas em várias instituições. Mesmo assim, como o Pix é hoje um dos principais meios de recebimento das pequenas empresas, a contagem de chaves é o melhor dado público sobre onde elas mantêm a conta do dia a dia.
“A fatia das instituições de pagamento passou de metade em fevereiro de 2026 e ficou acima disso desde então.”
Levantamento publicado no Portal Contábeis com dados abertos do Pix
O levantamento lembra que o tipo de instituição muda a proteção do saldo. Depósitos em banco têm a garantia do FGC, de até R$ 250 mil por CNPJ em cada conglomerado. Conta de pagamento não tem FGC, mas, pela Lei 12.865/2013, o dinheiro dela forma um patrimônio separado, que não paga dívidas da instituição nem pode ser emprestado. Na liquidação da Will Financeira, em janeiro de 2026, o BC avisou que os saldos em conta de pagamento não eram cobertos pelo FGC.
Por que importa. A conta PJ virou a porta de entrada do relacionamento com a pequena empresa, e quem recebe o Pix do lojista vende depois crédito, maquininha e antecipação. As instituições de pagamento tomaram mais da metade desse mercado em poucos anos, e há espaço para a fintech de nicho que oferecer conta PJ com o serviço certo para um setor, como clínicas, oficinas ou agro, e cobrar pelo que vem junto.
Fonte: Portal Contábeis. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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