Mastercard quer triplicar a base de cartão de crédito empresarial no Brasil, que já soma 9% dos gastos com cartão
Fatia dos cartões PJ subiu de 7% para 9% em um ano; bandeira mira pequenas e médias empresas e pagamentos entre empresas, hoje dominados pelo boleto

Leon Gottlieb, vice-presidente de Soluções para PMEs da Mastercard no Brasil. Foto: Mastercard/Divulgação
A Mastercard quer triplicar a base de cartão de crédito empresarial no Brasil, segmento que hoje responde por 9% de tudo o que se gasta com cartão de crédito no país, contra 7% no ano passado. A meta foi apresentada por Leon Gottlieb, vice-presidente de Soluções para PMEs da companhia no Brasil, em entrevista ao jornal O Tempo publicada nesta sexta-feira (6). Ele não deu prazo para chegar lá.
“É uma grande avenida de crescimento”, disse Gottlieb. Segundo ele, o mercado de cartões para pessoa física já está mais maduro, enquanto o de pequenos e médios negócios ainda tem espaço. A estratégia envolve emitir mais cartões para empresas e estimular o uso nas compras entre empresas (B2B), em que fornecedores e compradores ainda pagam majoritariamente por boleto. Vencer essa “cultura do boleto” é, para o executivo, um dos principais desafios.
A Mastercard montou há cerca de dois anos e meio uma equipe dedicada ao mercado de pessoa jurídica. A ideia é separar o cartão empresarial do produto de consumo, associado a pontos e milhas, e somar serviços de gestão e segurança: presença digital, identificação de vulnerabilidades cibernéticas e sistemas de gestão. Em outubro, a bandeira fechou parceria com a Olist para dar condições especiais de acesso a um ERP, e mantém o programa de benefícios Surpreenda Empresas.
Gottlieb cita cerca de 24 milhões de pequenas e médias empresas formais no Brasil e outros 15 milhões de empreendedores sem CNPJ, que a companhia também quer alcançar. Para ele, o cartão empresarial ajuda a conciliar despesas, dá previsibilidade ao recebimento e oferece prazo para pagar as compras.
“Quando você pensa em como um pequeno negócio paga o seu fornecedor, dificilmente isso acontece por cartão”
Leon Gottlieb, vice-presidente de Soluções para PMEs da Mastercard no Brasil, ao O Tempo
A ofensiva acompanha a campanha global Dreams, lançada no Brasil em outubro, o segundo país a recebê-la depois dos Estados Unidos. Em São Paulo, a Casa Mastercard ocupou entre 26 de outubro e 5 de novembro o rooftop do Shopping Vautier Premium, no Brás, polo do comércio atacadista, com atividades de capacitação para empreendedores. “A gente tem que ir onde as PMEs estão, não o contrário”, disse Taciana Lopes, diretora de Marketing e Comunicação da Mastercard.
Por que importa. Com só 9% dos gastos e o boleto ainda dominando o pagamento a fornecedor, o cartão PJ é um mercado aberto para fintech: quem emite cartão para pequena empresa ganha em cada compra e pode vender junto crédito, conciliação e gestão de despesas, que é o que a própria bandeira está empacotando para atrair esse cliente.
Fonte: O Tempo. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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