Méliuz tem lucro de R$ 113,7 milhões no 3º trimestre com ganho no bitcoin, vende 78 BTC para recomprar ações e testa parcelamento via Pix
Sem o efeito da criptomoeda, lucro ajustado foi de R$ 19,6 milhões; receita caiu 22,3% com a recuperação judicial da Casas Bahia, e a parceria de conta e cartão com o BV acaba em junho de 2027

Bruno Mooca/Consumidor Moderno
O Méliuz (CASH3), plataforma de cashback com 56,6 milhões de contas, teve lucro líquido de R$ 113,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante R$ 14,2 milhões um ano antes, segundo o release de resultados divulgado na quarta-feira (4), como mostrou o Livecoins. Do total, R$ 78,5 milhões vieram da valorização da reserva de bitcoin, um ganho contábil que não entra no caixa.
Sem o efeito do bitcoin e de itens extraordinários, o lucro líquido ajustado do Méliuz foi de R$ 19,6 milhões, alta de 28,4%. A operação, porém, encolheu: a receita líquida consolidada caiu 22,3%, para R$ 96,1 milhões, e o EBITDA ajustado recuou 37,7%, para R$ 17,0 milhões. Segundo a empresa, o comércio eletrônico, seu principal negócio, caiu 35,3% na comparação anual, afetado pelo pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, em agosto, e pela mudança no mix de vendas entre parceiros. Em 12 meses, a receita somou R$ 468,3 milhões, alta de 9,8%.
A tesouraria em bitcoin, iniciada em março de 2025, terminou setembro com 526,7 bitcoins, comprados a um preço médio de US$ 103.321,60. No trimestre, o Méliuz vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões (US$ 5,65 milhões) para financiar o segundo programa de recompra de ações, lançado em agosto, sem tomar dívida. Para não perder a exposição à criptomoeda, contratou opções de compra que permitem readquirir o mesmo lote em 2027 por no máximo US$ 5,85 milhões, cerca de US$ 75 mil por unidade. Em 30 de setembro, o bitcoin valia US$ 83.554. O primeiro programa já havia recomprado e cancelado 9,1 milhões de ações.
“Nossa convicção no Bitcoin como reserva de valor segue inalterada”, escreveu o CEO, Gabriel Loures, na mensagem do release. Segundo ele, a empresa prioriza a recompra porque considera que as ações são negociadas com desconto: o negócio operacional seria avaliado hoje a cerca de 1,1 vez o EBITDA ajustado de 12 meses.
“Nossa convicção no Bitcoin como reserva de valor segue inalterada”
Gabriel Loures, CEO do Méliuz, no release de resultados do 3º trimestre
Na frente financeira, a receita de Serviços Financeiros subiu 9,7%, para R$ 10,5 milhões. Em parceria com o banco BV, o Méliuz soma 6,2 milhões de contas digitais abertas e 302,8 mil cartões de crédito emitidos, mas o acordo está em aviso prévio e termina em junho de 2027. Para a fase seguinte, a empresa testa com um grupo restrito de usuários o parcelamento via Pix, que permite dividir compras sem cartão de crédito e manter o cashback, operado com parceiros especializados em crédito. Outras linhas fora do comércio eletrônico, como Méliuz Nota Fiscal, Méliuz Prime e Méliuz Ads, somaram R$ 85,1 milhões em receita em 12 meses, mais do que toda a receita da empresa em 2019.
O movimento de cripto em empresas listadas e plataformas brasileiras segue em alta: o Inter informou que as negociações de USDT no app cresceram mais de 360% no ano, e o Banco Central encerrou o prazo para os pedidos de licença de prestadoras de ativos virtuais.
Por que importa. O Méliuz mostra que uma base grande de usuários de cashback vira porta para vender serviço financeiro: são 6,2 milhões de contas e 302,8 mil cartões em parceria com o BV, e agora um parcelamento via Pix em teste. Com o fim do acordo em 2027, abre-se espaço para fintechs de crédito e BaaS que ofereçam a infraestrutura de parcelamento, conta e cartão para quem já tem a audiência e quer ganhar com crédito no momento da compra.
Fonte: Méliuz (release de resultados do 3T26) e Livecoins. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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