Estudo da Nexa Finance mostra que debêntures atreladas ao CDI rendem CDI menos 1,52% até setembro, e a culpa é da marcação a mercado, não do calote
Levantamento da gestora com o IDA-Liq DI, índice da Anbima, mostra que em abril, no auge dos resgates de R$ 31,3 bilhões dos fundos de crédito, as debêntures chegaram a ficar 2,8 pontos percentuais atrás do CDI

Eduardo Furuie, cofundador e CIO da Nexa Finance. Foto: Divulgação/Nexa Finance
As debêntures atreladas ao CDI negociadas no mercado secundário renderam menos que o próprio CDI de janeiro a setembro de 2026, segundo levantamento da gestora Nexa Finance, de Lucas Danicek (fundador e CEO) e Eduardo Furuie (cofundador e CIO), divulgado pelo Seu Dinheiro nesta sexta-feira (6) e repercutido pelo FIDC Data. O IDA-Liq DI, índice da Anbima que acompanha esses papéis, acumulou no período retorno equivalente ao CDI menos 1,52%.
Segundo a análise da gestora, o resultado abaixo da referência não vem de calote dos emissores, mas do risco de mercado. O índice não mede só a capacidade de pagamento das empresas: ele incorpora a variação diária do preço das debêntures nas negociações entre investidores, a chamada marcação a mercado. Quando as taxas exigidas pelos compradores sobem, o preço dos títulos já emitidos cai, e a carteira mostra perda mesmo com o emissor pagando em dia.
A Nexa Finance usa o estresse de abril como exemplo. Naquele episódio, os fundos de crédito tiveram resgates líquidos de R$ 31,3 bilhões em dois meses, e no pior momento das saídas o IDA-Liq DI chegou a ficar 2,8 pontos percentuais abaixo do CDI. Parte da diferença foi recuperada quando o mercado se estabilizou, mas o saldo até setembro seguiu negativo em 1,52% em relação ao CDI.
Pela avaliação da gestora, a perda da marcação a mercado só vira prejuízo de fato para quem vende a debênture ou resgata as cotas do fundo no meio da turbulência. Quem leva o papel até o vencimento recebe a taxa contratada, desde que o emissor honre os compromissos. O ponto central da análise de crédito, segundo o levantamento, continua sendo a capacidade de pagamento da empresa.
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O dado chega depois de um ano de oscilação intensa no preço das debêntures, reflexo de mudanças na percepção de risco e de movimentos de oferta e demanda no mercado secundário. Para gestoras de fundos de crédito e estruturadores, a separação entre risco de crédito e risco de mercado passa a pesar na leitura do desempenho desses ativos e na forma de explicar ao cotista por que a cota ficou no vermelho.
Por que importa. Por que importa: se até debênture de empresa que paga em dia rende abaixo do CDI quando o investidor foge na hora errada, ganha dinheiro quem resolve a liquidez e explica o risco. Fintechs e gestoras que estruturam crédito com prazo casado, como FIDCs e recebíveis securitizados carregados até o vencimento, ou que dão ao assessor ferramenta para mostrar a diferença entre marcação e calote, têm um mercado de bilhões que hoje sai pela porta nos momentos de estresse.
Fonte: Seu Dinheiro e FIDC Data. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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