NR Euro Market, de antecipação de recebíveis, leva fundo de crédito a Portugal com a IMGA e quer 2.500 empresas no primeiro ano
Plataforma brasileira, que trabalha com a EDP no Brasil, mira um faturamento de 150 milhões de euros por ano em cinco anos

Carlos Santos, cofundador e CEO da NR Euro Market. Foto: Reprodução/ECO
A NR Euro Market, plataforma brasileira que ajuda empresas a gerenciar negócios entre si e a antecipar o recebimento de faturas, vai lançar um fundo de crédito em Portugal em parceria com a IMGA, que o ECO descreve como a maior gestora de ativos independente do país, segundo noticiou o jornal português nesta sexta-feira (6). A empresa quer começar a operação com 50 empresas até 21 de dezembro e chegar a 2.500 no primeiro ano.
O plano é usar o que o CEO chama de “corredor brasileiro”: empresas brasileiras com atividade ou subsidiárias em Portugal, além de companhias portuguesas interessadas em testar processos de compensação, pagamentos e financiamento de fornecedores. Segundo Carlos Santos, cofundador e CEO, o potencial desse corredor é de 1,8 bilhão de euros. Em cinco anos, a meta é ter 27 mil empresas clientes na Europa e um faturamento de 150 milhões de euros por ano, o que ele chama de “projeção de unicórnio”.
No Brasil, onde opera há mais de três anos, a plataforma diz validar mais de 95 mil documentos fiscais por dia, ter relação com mais de 700 fundos de crédito e analisar fluxos de mais de 2,4 bilhões de euros por mês. A NR valida os dados da transação e encaminha os recebíveis elegíveis para bancos, fundos, seguradoras e outros financiadores. Entre os casos citados está o Tomorrow Now, FIDC criado para financiar fornecedores de empresas do Grupo EDP no Brasil. “A empresa põe o dinheiro no fundo e o dinheiro é usado na cadeia produtiva dela. Vai ajudar os fornecedores”, disse Santos.
Portugal é um mercado grande para esse tipo de operação: o factoring bateu recorde de 51,5 bilhões de euros, alta de 12,7% em um ano, segundo a Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting, e o prazo médio de recebimento entre empresas frequentemente passa de 60 a 65 dias, dependendo do setor. Santos espera que surjam no país “pelo menos meia dúzia” de fundos especializados ao longo do ano.
“Vemos Portugal não apenas como porta de entrada, mas como morada na Europa”
Carlos Santos, cofundador e CEO da NR Euro Market, ao ECO
Por que importa. Antecipar o pagamento de fornecedores de uma grande empresa é um crédito que costuma ter risco menor, porque o risco é do comprador grande e a fatura é conferida na origem. O Brasil, com FIDC e nota fiscal eletrônica, ensinou as fintechs a fazer isso em escala, e a NR mostra que esse saber dá para exportar: quem domina a validação do recebível e a conexão com centenas de fundos pode replicar o modelo em mercados com prazos longos, como Portugal.
Fonte: ECO. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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