ZenoX aponta grupo que usou IA contra ao menos 40 instituições financeiras e órgãos no Brasil na operação Open Ledger
Segundo o TecMundo, grupo RedScanner tinha 5 pessoas e um agente de IA comercial rodando 24 horas; fintechs e escrituradoras de fundos estão entre os alvos, e a ZenoX recomenda trocar chaves e revisar logs

Divulgação/ZenoX
O caso Open Ledger, uma operação criminosa que, segundo relatório da empresa de inteligência de ameaças ZenoX obtido com exclusividade pelo TecMundo (Estadão), atingiu ao menos 40 instituições financeiras e órgãos no Brasil, foi revelado nesta quarta-feira (4). O assunto chegou à Redação por um post da FIDC News. A lista inclui empresas expostas por meio de fornecedores, num efeito em cascata.
De acordo com o relatório, a operação foi conduzida por um grupo que se chama de RedScanner. A estrutura tinha cinco integrantes humanos, liderados por um administrador central, enquanto agentes de inteligência artificial comercial faziam o trabalho pesado: varredura de sistemas, triagem de vulnerabilidades e testes de credenciais, 24 horas por dia. Para contornar as travas de segurança dos modelos de linguagem, os operadores usavam instruções para anular as recusas da IA, segundo o documento.
O esquema veio à tona por uma falha dos próprios criminosos. Um servidor da Hetzner em Nuremberg, na Alemanha, ficou com a listagem de diretórios aberta na internet, sem autenticação. Os analistas reuniram mais de 7 mil arquivos, entre transcrições de sessões de IA, ferramentas e dados retirados das vítimas.
As ações descritas vão do roubo de dados de cartão de crédito a tentativas de manipular sistemas de produção em fintechs e em escrituradoras de fundos. Segundo a ZenoX, em vários testes contra o setor financeiro o grupo gerou registros sintéticos e guardou cópias antes de alterar dados, numa espécie de demonstração de capacidade. O TecMundo não divulgou os nomes das instituições e diz que ainda apura mais detalhes sobre as empresas envolvidas.
“O grupo tratava a própria operação como produto, mantendo versionamento de ferramentas, contabilidade formal de custos e automação contínua”
Relatório da ZenoX, segundo o TecMundo
Para as instituições afetadas ou expostas na cadeia de fornecedores, a ZenoX recomenda quatro medidas imediatas: trocar senhas, tokens, chaves de API e credenciais de nuvem; analisar os logs de bancos de dados, firewalls e sistemas de mensagens em busca de tráfego suspeito; bloquear os endereços e indicadores de rede dos atacantes; e remover códigos de autenticação em duas etapas falsos, revisando as permissões de aplicativos na nuvem.
A ZenoX é a empresa por trás da plataforma Vydar, de inteligência de ameaças. Seu CEO e fundador é Gabriel Paiva.
Por que importa. Fintech e FIDC rodam sobre uma cadeia de fornecedores (escrituradora, custodiante, BaaS, software) e, como mostra o caso, o atacante entra pelo elo mais fraco. Quem vende segurança, monitoramento de credenciais e auditoria de terceiros para esse mercado tem cliente certo, e a fintech que provar que cuida bem dos próprios acessos ganha argumento comercial com investidores e parceiros.
Fonte: TecMundo (Estadão). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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