OpenFX, que movimenta US$ 80 bilhões por ano com stablecoins, abre empresa no Brasil, pede licença ao BC e lança braço de investimento em startups
Segundo o Startups, a fintech americana apoiada por Accel e Lightspeed estreia a OpenFX Ventures com cerca de 16 investidas, abre canal para fundadores brasileiros e pode comprar empresas que facilitem pagamentos internacionais no país

Catherine Kaupert, diretora da OpenFX para a América Latina. Foto: Divulgação/OpenFX
A OpenFX, startup americana de pagamentos internacionais com stablecoins, abriu uma entidade no Brasil e pediu ao Banco Central autorização para operar como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV), informou nesta quinta-feira (5) o Startups. A empresa também tirou do modo stealth a OpenFX Ventures, seu braço de investimento corporativo (CVC), que já tem cerca de 16 empresas no portfólio, incluindo fintechs da América Latina.
Investida por Accel e Lightspeed, a OpenFX saiu do zero em dois anos para cerca de US$ 80 bilhões em volume anualizado e atende mais de 100 fintechs. No Brasil, onde opera há cerca de um ano e meio, a empresa atuava até agora por meio de parceiros, como provedores de liquidez e bancos com licença local.
O pedido de licença acompanha as regras do BC para o setor, em vigor desde fevereiro, que passaram a tratar como operação de câmbio os pagamentos internacionais feitos com ativos virtuais, o tipo de transação que a OpenFX faz. A empresa contrata profissionais de compliance e risco, prepara um escritório em São Paulo e espera um country manager nas próximas semanas. Além do Brasil, opera no México, na Colômbia e está em lançamento na Argentina.
A OpenFX Ventures mira startups early stage de infraestrutura de pagamentos transfronteiriços, com cheques do pré-seed ao seed, em quatro frentes: ferramentas de pagamento com IA, infraestrutura para mercados de crédito e de capitais, aplicações financeiras de nova geração e infraestrutura de roteamento e compensação. O destaque do portfólio é a mexicana Jeeves, que tem operação em São Paulo e levantou US$ 110 milhões numa rodada liderada pela CoinFund, com participação da OpenFX.
“Estamos olhando para o Brasil como o maior mercado da América Latina. E, para isso, precisamos de parcerias ou de uma relação próxima com as empresas que fazem sentido, que tornem nossa operação mais eficiente.”
Catherine Kaupert, diretora da OpenFX para a América Latina, ao Startups
Segundo Catherine Kaupert, diretora da OpenFX para a América Latina, o braço de investimento já abriu um canal para receber fundadores brasileiros e latino-americanos que estejam captando rodadas iniciais, e a empresa pode fazer parcerias, investir ou até comprar companhias que facilitem operações cross-border no país. Entre os clientes potenciais, ela cita importadores, exportadores e famílias que mandam dinheiro para filhos que estudam fora. “O Brasil ainda não é o nosso mercado número um, mas vejo o país se tornando o nosso principal mercado na América Latina”, disse.
“A maior parte do dinheiro do mundo ainda circula em sistemas criados antes da internet, e as empresas que vão modernizá-los estão enfrentando mais dificuldades para levantar recursos”, afirmou Prabhakar Reddy, fundador e CEO da OpenFX, sobre o momento escolhido para o lançamento.
Por que importa. O Pix resolveu o pagamento dentro do Brasil, mas mandar dinheiro para fora ainda é caro e lento, e é aí que está a margem. Com a OpenFX buscando parceiros, investidas e até aquisições no país, a fintech brasileira que resolver uma ponta do câmbio com stablecoins, como compliance, conversão em reais ou pagamento para importador, ganha um comprador e um investidor em potencial ao mesmo tempo.
Fonte: Startups. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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