Operação Azzardo: bets ilegais usavam fintech SCD de São Paulo e Pix para lavar dinheiro, diz PCDF; Justiça bloqueia até R$ 3,48 bilhões
Polícia Civil do DF cumpre 50 mandados em seis unidades da federação; fintech, que o BC anunciou em julho a intenção de descredenciar, movimentou cerca de R$ 1 bilhão com empresas do grupo

Divulgação/PCDF
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Azzardo contra uma rede suspeita de explorar apostas de quota fixa sem autorização federal e de lavar o dinheiro por meio de Pix, empresas de fachada e uma fintech de São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões dos investigados, segundo o Metrópoles e a CNN Brasil.
De acordo com a investigação, o centro financeiro do esquema era uma fintech com sede na capital paulista, autorizada pelo Banco Central a funcionar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). Os pagamentos por QR Code Pix cobrados pelos sites de apostas caíam em contas mantidas nessa instituição, que também abrigava contas de outras empresas do grupo, movimentadas com rodízio constante de procuradores. O nome da fintech não foi divulgado.
Dados financeiros da fintech e de empresas do mesmo grupo indicam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses a empresas investigadas e pagamentos ligados a casas de apostas sem autorização. Só no Pix, o esquema movimentou R$ 739 milhões, segundo o Metrópoles. Em 30 de julho de 2026, o próprio Banco Central já havia divulgado a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech. No caso dela, o bloqueio alcança apenas os recursos próprios da sociedade e preserva as contas de clientes que não são investigados.
Segundo a polícia, o dinheiro das apostas entrava em dezenas de empresas abertas em nome de laranjas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Algumas estavam cadastradas como clínica de assistência psicossocial e loja de artigos de tarô. Os recursos eram concentrados e redistribuídos entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos.
“As cobranças por Pix dos sites investigados desaguavam em inúmeras contas mantidas nessa instituição financeira (...)”
Investigação da PCDF, segundo o Metrópoles
A investigação começou há cinco meses, a partir de comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou sites operando sem autorização federal. Cerca de 200 policiais cumprem 50 mandados de busca e apreensão: 24 no DF e 26 em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Na capital paulista, as buscas incluíram a região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia.
A decisão judicial também suspendeu o CNPJ de 100 empresas, proibiu os investigados de abrir contas bancárias por 90 dias, quebrou os sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas e tornou indisponíveis bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela CVM. Parte dos sites alegava ter autorização de loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro, mas a apuração concluiu que nenhum estava coberto por essas licenças, que perderam validade com o fim da transição da Medida Provisória nº 1.394/2026.
Por que importa. O caso mostra onde o dinheiro sujo das bets procura entrada: instituição pequena, com conta fácil de abrir e pouco controle sobre quem recebe Pix. Para fintechs, a oportunidade está do outro lado: vender verificação de cadastro de empresas, monitoramento de recebimentos por Pix e prevenção à lavagem como serviço para SCDs, instituições de pagamento e BaaS que precisam provar ao BC que sabem quem são seus clientes.
Fonte: Metrópoles. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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