Pontos do cartão de crédito: 10,6 bilhões venceram sem uso no 2º trimestre, e emissores gastaram R$ 2,77 bilhões com recompensas (BC)
Dados abertos do Banco Central organizados pelo Mundo das Fintechs mostram que as trocas de pontos cresceram 46,6% em um ano, enquanto o BTG Pactual passou a aceitar pontos e cashback para pagar Pix e boletos

Carla Nesi, CEO da Livelo. Foto: Divulgação/Livelo
Os clientes de cartão no Brasil deixaram vencer 10,6 bilhões de pontos de programas de recompensa no segundo trimestre de 2026, segundo as estatísticas de meios de pagamento do Banco Central, na base de dados abertos, organizadas pelo Mundo das Fintechs. No mesmo período, 145,4 bilhões de pontos foram convertidos em recompensas, e os emissores gastaram R$ 2,77 bilhões com os programas.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, as trocas cresceram 46,6%, de 99,2 bilhões para 145,4 bilhões de pontos. Os pontos ganhos nas compras subiram 15,9%, de 130,4 bilhões para 151,2 bilhões, e o gasto dos emissores com recompensas aumentou 23,1%, de R$ 2,25 bilhões para R$ 2,77 bilhões. Os pontos vencidos ficaram quase estáveis: eram 10,3 bilhões um ano antes. Em quatro trimestres, do terceiro de 2025 ao segundo de 2026, venceram 39,8 bilhões de pontos.
O saldo de pontos guardado nos programas ficou em 370,5 bilhões no fim do trimestre, perto do que havia um ano antes (367,7 bilhões). Ou seja, os clientes estão ganhando mais pontos, mas também gastando mais rápido o que acumulam. Para cada 100 pontos trocados no trimestre, cerca de 7 venceram sem uso.
Os cartões de alta renda concentram o negócio. Os cartões da categoria premium responderam por 95,5 bilhões dos 151,2 bilhões de pontos ganhos no trimestre (63%) e por R$ 1,88 bilhão dos R$ 2,77 bilhões gastos com recompensas (68%). Por bandeira, os cartões Mastercard somavam 228,3 bilhões de pontos em saldo e os Visa, 131,4 bilhões. Quase tudo vem do crédito: o débito tinha 7 bilhões de pontos em saldo.
“145,4 bilhões de pontos do cartão foram trocados no 2º trimestre de 2026, alta de 46,6% sobre o mesmo período de 2025”
Estatísticas de meios de pagamento do Banco Central (2º trimestre de 2026), organizadas pelo Mundo das Fintechs
Os programas de fidelidade como um todo, que incluem também companhias aéreas e varejo, mostram o mesmo movimento. Segundo a ABEMF, a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização, presidida por Martin Holdschmidt, os programas associados emitiram 292,7 bilhões de pontos e milhas no segundo trimestre de 2026 (alta de 19,3%) e resgataram 248,5 bilhões (alta de 14,9%). A taxa de pontos que expiram sem uso caiu para 10,3%, a menor da série da associação, e o faturamento dos programas chegou a R$ 6,6 bilhões, alta de 12,6%.
O uso dos pontos também está mudando de lugar. O BTG Pactual passou a permitir que clientes elegíveis do seu programa de fidelidade usem Pontos BTG ou Cashback BTG para fazer Pix, TED e TEF e pagar boletos e tributos pelo aplicativo, segundo página do banco atualizada em 3 de novembro. O saldo não funciona como crédito e pode ser combinado com outra forma de pagamento. Desde 3 de novembro, a Light aceita pontos Livelo na conta de luz, com tecnologia da Bemobi, como mostrou o Mundo das Fintechs. A Livelo tem desde 30 de outubro uma nova CEO, Carla Nesi, ex-vice-presidente de varejo do Banco do Brasil.
Os números são informados ao Banco Central pelos emissores de cartão e publicados por trimestre no serviço de estatísticas de meios de pagamento da base de dados abertos do BC. O valor gasto com os programas é o custo declarado pelos emissores com as recompensas no período.
Por que importa. Ponto de cartão é dinheiro parado no balanço do emissor: são 370 bilhões de pontos em saldo e R$ 2,77 bilhões por trimestre pagos em recompensas. Quando o resgate vai para o Pix, o boleto e a conta de luz, abre espaço para fintechs que conectam programas de fidelidade a pagamentos do dia a dia, ganhando por transação, e para emissores menores que usam cashback simples para disputar o cliente de alta renda.
Fonte: Banco Central (estatísticas de meios de pagamento, dados abertos). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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