Revolut Brasil: fintech reserva US$ 1 bilhão para a América Latina e quer dobrar novos clientes no país em 2027
Brasil já é o maior mercado de expansão da Revolut; valor é piso, dividido entre Brasil, México, Colômbia, Peru e Argentina, e região deve trazer um em cada quatro novos clientes da empresa no ano que vem

Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil. Foto: Revolut/Divulgação (via Estadão)
A Revolut Brasil vai ganhar mais dinheiro para crescer. A fintech britânica reservou US$ 1 bilhão para investir na América Latina nos próximos anos e espera dobrar, em 2027, o número de novos clientes conquistados no país em relação a 2026, segundo o NeoFeed. O investimento foi noticiado pelo Valor nesta sexta-feira (6). O plano foi apresentado por executivos da empresa a jornalistas em São Paulo na quinta-feira (5).
O valor é um piso, não um teto, e será dividido entre Brasil, México e os três países onde a Revolut ainda vai começar a operar: Colômbia, Peru e Argentina. A empresa não definiu quanto vai para cada país. Segundo o Valor, o dinheiro vai para operações locais, tecnologia, produtos e capacidade regulatória. “Conquistamos esse compromisso de US$ 1 bilhão como investimento mínimo. Se virmos, trimestre a trimestre, oportunidades que valham acelerar, somos uma empresa saudável, com um balanço sólido”, disse Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, à Bloomberg Línea.
A Revolut tem mais de 80 milhões de clientes em cerca de 40 mercados e espera que um em cada quatro novos clientes que conquistar no mundo em 2027 venha da América Latina. O Brasil, onde opera desde 2023, é hoje o maior mercado de expansão da empresa, segundo Mota. A empresa não divulga quantos clientes tem no país. No México, onde começou em janeiro com licença bancária completa, passou de 1 milhão de clientes em cerca de oito meses.
Para acelerar no Brasil, a Revolut pretende ampliar o gasto com marketing, fazer campanhas e usar embaixadores da marca, segundo o NeoFeed. Ao Estadão, Mota disse que metade ou mais do crescimento no país é orgânico, que o Brasil tem o maior crescimento dos planos premium da Revolut no mundo e que a meta não é superar o Nubank em número de clientes, e sim ter clientes ativos. A operação brasileira começou com a conta internacional e cresceu com contas locais, cartão de crédito e programa de benefícios.
“Ao integrar nossa plataforma à infraestrutura de pagamentos do país e adaptar nossos produtos ao mercado brasileiro, construímos uma base sólida para o crescimento”
Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, ao Valor
No Brasil, a Revolut opera como sociedade de crédito direto (SCD), licença que concede crédito com capital próprio e não capta depósitos do público. Em outubro, o Banco Central homologou o aumento de capital dessa SCD de R$ 105,4 milhões para R$ 326,9 milhões, como mostrou o Mundo das Fintechs. Segundo a Bloomberg Línea, nenhum outro país da atual expansão na América Latina é alvo de negociações de compra, segundo Urrutia; na Argentina, a empresa concluiu a compra do Banco Cetelem, que vai virar Revolut Bank Argentina.
Por que importa. Uma gigante que reserva US$ 1 bilhão e tem no Brasil seu maior mercado de expansão confirma o que os números já mostram: o brasileiro troca de banco, usa app e paga por plano premium. Para a fintech local, a oportunidade está nos nichos que a Revolut ataca primeiro, como câmbio sem IOF e spread, conta internacional e cartão premium com milhas, e no público que ela diz não perseguir: a Revolut diz que só lhe interessa cliente novo se ele for ativo e transacionar bem, o que deixa espaço para quem atender os demais.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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