Stone pode lucrar até 13,8% menos no 3T26 com o Pix tirando receita da maquininha; Nubank, Inter e PagBank abrem balanços a partir de 10/11
Prévias de Itaú BBA, Safra, BB Investimentos e XP mostram fintechs ainda lucrando mais, mas com crédito mais lento, calote em alta e preocupação com 2027

Logos de Stone, PagBank, Nubank e Inter (Reprodução)
Os resultados do 3T26 das fintechs e bancos digitais brasileiros listados nos Estados Unidos começam a sair na semana que vem, e as prévias dos bancos e corretoras apontam lucro maior para a maioria, com a Stone como principal exceção. Pelas contas do Banco Safra, o lucro ajustado da empresa de maquininhas pode cair 13,8% em um ano, segundo levantamento do Finsiders Brasil publicado nesta terça-feira (3).
O PagBank abre a temporada em 10 de novembro, segundo o calendário do Itaú BBA. O Agibank divulga no dia 11, e Nubank, Inter e Stone, no dia 12. As projeções reunidas são de Itaú BBA, Safra, BB Investimentos e XP Investimentos.
Na Stone, o Itaú BBA projeta lucro de R$ 571 milhões, cerca de 11% abaixo do 3T25, com alta de só 5% no volume de pagamentos processados (TPV). O Safra estima lucro ajustado de R$ 553 milhões e TPV de R$ 147 bilhões, com o volume em cartões caindo 1,8% no ano. A explicação passa pelo Pix: cada venda que sai do cartão para a transferência instantânea rende menos à empresa. O BBA cortou o preço justo da ação de US$ 17 para US$ 15.
O PagBank sofre com o mesmo Pix, mas compensa no crédito. O Itaú BBA projeta lucro de R$ 587 milhões, alta de 6% no ano, com TPV crescendo só 3% e receitas bancárias subindo 37%, para R$ 730 milhões. A carteira de crédito deve chegar a R$ 5,4 bilhões.
“O resultado é uma empresa que processa mais dinheiro e lucra menos com ele.”
Finsiders Brasil, sobre as projeções para a Stone
O Nubank segue como máquina de lucro: o Safra projeta US$ 1,078 bilhão, alta de 37,7% sobre o 3T25, e o Itaú BBA vê ROE de 31%. Mas o custo de risco perto de 18% e as despesas crescendo mais rápido que as receitas fazem o BBA projetar para 2027 um lucro de US$ 4,6 bilhões, cerca de 15% abaixo da média do mercado.
No Inter, Itaú BBA e Safra projetam lucro de R$ 429 milhões e R$ 425 milhões, praticamente parado frente ao segundo trimestre, com atrasos acima de 90 dias em 5,7% da carteira, segundo o Safra. O PicPay já divulgou a própria projeção: lucro ajustado de R$ 265 milhões, cerca de 6% abaixo do trimestre anterior, com a carteira de crédito passando de R$ 31,9 bilhões para R$ 34,7 bilhões.
A XP, que depende mais de investimentos do que de crédito, divide as casas: o Itaú BBA projeta lucro de R$ 1,4 bilhão e a coloca entre suas ações preferidas, enquanto o Citi rebaixou o papel para neutro em 27 de outubro, junto com o PagBank. No Agibank, o BBA espera lucro perto de R$ 200 milhões, depois de um ano travado pelas mudanças no consignado. Os analistas da XP Investimentos Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti atribuem a queda na concessão à margem consignável menor e às exigências de biometria.
Por que importa. o Pix está tirando receita de quem vive só de taxa de maquininha, e quem cresce é quem transforma o fluxo de pagamentos em crédito, como o PagBank, que deve subir 37% nas receitas bancárias. Para uma fintech de pagamentos menor, a lição é clara: o dinheiro está em usar o histórico de vendas do lojista para oferecer capital de giro e antecipação, e não em disputar centavos na taxa do cartão.
Fonte: Finsiders Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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