Tractian, unicórnio de US$ 1,4 bilhão, chega a quase US$ 100 milhões de receita recorrente e quer abrir capital nos Estados Unidos
Ao Brazil Journal, o CEO Igor Marinelli abriu os números depois da Série D de US$ 130 milhões anunciada em 22 de outubro: receita 2,5 vezes maior em dois anos e meta de US$ 500 milhões de ARR

Igor Marinelli, CEO e cofundador da Tractian, no centro de IA da empresa. Foto: Divulgação/Tractian
A Tractian, startup fundada no Brasil que usa sensores e inteligência artificial para prever falhas em máquinas industriais, chegou a uma receita recorrente anualizada (ARR) de quase US$ 100 milhões em outubro e quer abrir capital nos Estados Unidos. Os números foram revelados pelo CEO e cofundador, Igor Marinelli, ao Brazil Journal nesta quarta-feira (4), duas semanas depois de a empresa anunciar uma rodada Série D de US$ 130 milhões que a avaliou em US$ 1,4 bilhão e a colocou no grupo dos unicórnios.
A Série D, anunciada em 22 de outubro, foi liderada pela Sapphire Ventures, com coliderança da Catalyst, estratégia de growth equity da gestora britânica M&G. Participaram também N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator. O valuation é o dobro do registrado na captação anterior, há dois anos, e, segundo o Brazil Journal, faz da Tractian a empresa de IA mais valiosa da América Latina, um pouco à frente da legaltech Enter, avaliada em US$ 1,2 bilhão.
Nos últimos dois anos, a receita cresceu 2,5 vezes, a base passou de 2 mil fábricas clientes e a rentabilidade se aproxima do breakeven, segundo a empresa. A Tractian mudou a sede para Atlanta, nos Estados Unidos, hoje seu principal mercado, e tem mais de 700 funcionários.
Fundada em 2019 por Igor Marinelli, Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira, a Tractian nasceu nos corredores da USP, onde Marinelli e Lameirinhas estudavam engenharia da computação. Os sensores são cedidos em comodato às indústrias e medem vibração, temperatura, pressão, vazão, corrente e tensão; os modelos cruzam esses dados com as especificações do fabricante para apontar a causa do problema e sugerir a solução.
“Não dá para competir em nível global estando no Brasil.”
Igor Marinelli, CEO e cofundador da Tractian, ao Brazil Journal
O dinheiro vai para pesquisa e desenvolvimento em duas frentes: um sistema que permita aos modelos executar ações nas máquinas dos clientes, hoje em teste nos EUA e com lançamento previsto para o ano que vem, e sensores para monitorar robôs nas fábricas. A empresa também vai ampliar o time comercial para atender data centers de IA; já tem três grandes clientes desse setor nos EUA.
A meta para os próximos três a cinco anos é chegar a cerca de US$ 500 milhões de ARR e fazer o IPO nos Estados Unidos. “Não dá para competir em nível global estando no Brasil. Sem falar nos problemas que temos de moeda, instabilidade política e tamanho do PIB”, disse Marinelli ao Brazil Journal.
Por que importa. A Tractian não é fintech, mas aponta uma oportunidade que é: a fábrica que já paga assinatura de sensor e software também precisa de crédito para trocar máquina, de seguro e de antecipação de recebíveis. Quem usar o dado de operação da indústria para dar crédito e cobrar melhor tem como cliente milhares de fábricas que já provaram que pagam por tecnologia.
Fonte: Brazil Journal. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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