BMP refaz a gestão, leva governança e compliance de 5 para mais de 50 pessoas e vai vender o Cyberdome a outras instituições a partir de 2027
Infraestrutura financeira que originou R$ 27 bilhões em crédito em 2025 tem Marcelo Schucman como COO, Luiz Conrado Sundfeld como CFO e Rodrigo Melgar como CTO, e projeta R$ 30 bilhões neste ano

Marcelo Schucman, COO da BMP. Foto: Divulgação
A BMP, empresa de infraestrutura financeira que fornece a base para fintechs e outras empresas oferecerem serviços financeiros, refez a gestão, ampliou a área de governança, riscos e compliance de cerca de 5 para mais de 50 pessoas e vai transformar parte desses controles em um novo negócio: o Cyberdome, plataforma de segurança, gestão de riscos e compliance com oferta a outras instituições financeiras prevista para 2027. A informação foi publicada nesta quarta-feira (4) pelo NeoFeed.
No início deste ano, Marcelo Schucman, que passou pela Stone e foi sócio e cofundador da Swap, assumiu como COO para liderar a operação e escalar o negócio. O sócio-fundador Carlos Benitez segue como CEO, mas tem ocupado uma função mais próxima à de chairman, dedicada à estratégia e a novas iniciativas, e continua controlador da empresa. Chegaram também Luiz Conrado Sundfeld, ex-Rabobank, como CFO, e Rodrigo Melgar, que passou por Nubank, Santander, Zup, Digibee e Swap, como CTO. “Quando cheguei, tinha um plano com o Carlos de dois anos. Mas dois anos ia ser muito devagar e combinamos de fazer em seis meses”, disse Schucman.
A BMP tem hoje um conselho consultivo e prepara a transformação em conselho de administração, com nova diretoria estatutária, mudanças que dependem de aprovação do Banco Central. A reorganização veio depois de a empresa ter passado por um incidente de segurança e coincide com a regra de BaaS publicada pelo Banco Central e pelo CMN em novembro de 2025, que regulamentou a prestação desse tipo de serviço. Para a BMP, a adaptação do setor abre espaço para ferramentas de controle e segurança.
O Cyberdome reúne dados de operação, riscos, compliance e auditoria para que agentes de inteligência artificial identifiquem padrões suspeitos e recomendem ou executem ações. Segundo Melgar, parte da infraestrutura processa até 100 mil eventos por segundo. No primeiro teste interno, a plataforma ajudou a identificar uma fraude interna de quase R$ 2 milhões, e a empresa acionou as autoridades. A BMP estuda cobrar pelo uso de eventos e de agentes de IA, com distribuição por associações do mercado e parceiros de segurança, e quer facilitar a troca de informações sobre ameaças entre as instituições de uma mesma associação.
“A BMP teve uma história de muito sucesso comercial. Crescemos muito rápido e as dores do crescimento vieram.”
Marcelo Schucman, COO da BMP, ao NeoFeed
O movimento acompanha o tamanho do negócio: a BMP originou R$ 27 bilhões em crédito no ano passado e projeta alcançar R$ 30 bilhões neste ano.
Por que importa. Toda fintech que roda em cima de BaaS precisa provar ao Banco Central que controla fraude e lavagem de dinheiro, e a regra de BaaS de novembro de 2025 deixou essa exigência maior. Quando um provedor de infraestrutura prepara o próprio sistema de controle para vender a outras instituições, com cobrança por uso em estudo, mostra que segurança e compliance viraram mercado: quem vende essa camada para fintechs e instituições menores tem um cliente novo a cada licença concedida.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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