Itaú, Santander, Bradesco e BB vendem 64,6% menos carteiras inadimplentes, R$ 4,1 bilhões no semestre, e dona da Crediativos muda a estratégia
Santander vendeu 98% menos no 1º semestre; Itaú foi na contramão, com alta de 88,8%. Compradores de dívida migram para créditos individuais e estruturas com FIDC

Agência do Santander em Belo Horizonte. Foto: Eduardo P / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
A venda de carteiras de crédito inadimplente por quatro dos maiores bancos do país, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, caiu 64,6% no primeiro semestre de 2026, de R$ 11,6 bilhões para R$ 4,1 bilhões. O levantamento, feito a partir dos balanços dos bancos, foi publicado pelo Valor na sexta-feira (23).
O tombo não foi igual para todos. O Santander, que tinha vendido R$ 6,54 bilhões em créditos baixados para prejuízo no primeiro semestre de 2025, cedeu só R$ 128,7 milhões neste ano, queda de 98%. O Bradesco passou de R$ 605,6 milhões para R$ 24,7 milhões (-95,9%) e o Banco do Brasil, de R$ 2,67 bilhões para R$ 558,8 milhões (-79,1%). O Itaú foi na direção contrária: as vendas subiram 88,8%, de R$ 1,8 bilhão para R$ 3,4 bilhões, e responderam pela maior parte do volume dos quatro. Os valores são de face, e não o que os bancos receberam.
A queda coincide com a nova fase da Lei 14.467, em vigor desde janeiro, que mudou o uso de prejuízos acumulados para fins fiscais e permite deduzir perdas sem vender a dívida. Somam-se as mudanças contábeis de provisão, os juros altos e a piora na perspectiva de recuperação, com famílias mais endividadas e a expectativa de novos programas de renegociação, como o Desenrola.
Do lado de quem compra, a MGC Holding, dona da Crediativos e maior empresa independente de compra de dívidas do país, segundo o Valor, mudou a alocação: antes eram cerca de 80% do capital em carteiras de massa e 20% em créditos individuais; neste ano, a divisão ficou meio a meio. A empresa também abriu uma frente de cobrança para terceiros. Para Eduardo Martins, sócio-diretor da MGC, cresce um terceiro caminho, em que bancos e investidores dividem o risco e o resultado da recuperação em estruturas de securitização, inclusive por meio de FIDCs, em vez de vender a carteira inteira.
“O freio foi puxado de verdade em todo o lado comprador do segmento de massa”
Eduardo Martins, sócio-diretor da MGC Holding, dona da Crediativos
Os advogados Roberto Panucci e Diogo Nebias, do escritório Panucci, Severo e Nebias, calculam que os quatro bancos venderam R$ 22,4 bilhões em carteiras em 2023, R$ 25,5 bilhões em 2024 e R$ 28,3 bilhões em 2025, o que deixa a base de comparação alta. O preço pago também varia: o Bradesco recebeu R$ 10,4 milhões pelos R$ 24,7 milhões cedidos (42,2%), o BB, R$ 258 milhões por R$ 558,8 milhões (46,2%), e o Banco BV, só 3%, R$ 33,7 milhões por carteiras de R$ 1,12 bilhão. Participantes do mercado esperam um segundo semestre mais ativo, com carteiras menores e mais selecionadas.
Por que importa. Quando o banco para de vender a dívida em lote, sobra para ele cobrar sozinho, e quem leva tecnologia para isso ganha espaço: cobrança digital, renegociação por aplicativo e FIDCs que dividem o resultado da recuperação com o banco. A fintech que provar que recupera mais por real cobrado vira parceira de quem ainda tem bilhões em créditos baixados no balanço.
Fonte: Valor Econômico / Valor International. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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