Valora, de Daniel Pegorini, usa IA para ler 10 anos de dados de mais de 150 FIDCs e acompanhar R$ 36 bilhões
Gestora alimenta agentes com base própria de mais de 50 índices por fundo, aponta desvios de inadimplência e cortou de dois dias para 15 minutos a produção das lâminas

Clara Sodré, analista da XP, e Daniel Pegorini, CEO e fundador da Valora. Foto: Reprodução/YouTube InfoMoney
A Valora Investimentos, gestora com R$ 36 bilhões sob gestão e 20 anos de atuação, passou a usar inteligência artificial para acompanhar seus investimentos em crédito com até uma década de histórico, segundo entrevista do CEO e fundador, Daniel Pegorini, ao InfoMoney publicada neste sábado (24).
A gestora reuniu seus dados num data lake e alimenta os modelos com uma base proprietária que acompanha mais de 50 índices de mais de 150 FIDCs. Ao analisar o histórico de um fundo, o agente identifica movimentos fora do padrão, como desvios de inadimplência, e os aponta à equipe. Os agentes também buscam dados de compliance sobre as empresas que recebem os recursos.
Na renda fixa, a lógica se repete com debêntures: o agente examina o comportamento de um título nos últimos 180 dias e sinaliza o que sai dos parâmetros definidos pelos gestores. Os alertas entram na reunião semanal de gestão.
Os primeiros investimentos da Valora em FIDCs são de 2008 e 2009. Segundo Pegorini, o uso desses fundos se expandiu para cartões, crédito à pessoa física, consignado e agronegócio. “Em ativos estruturados, você corre uma maratona para chegar na linha de largada: depois de estruturar o produto, você vai viver dentro dele por 4 ou 5 anos”, disse.
“Em vez de olhar um cenário de 18 a 24 meses, a IA nos permite olhar uma planilha em 10 anos.”
Daniel Pegorini, CEO e fundador da Valora
A casa distribuiu os profissionais de dados entre suas cinco áreas (renda fixa, renda fixa estruturada, imobiliário, agro e infraestrutura), com duas ou três pessoas dedicadas em cada uma, enquanto compliance, risco e ESG supervisionam o uso da tecnologia de forma centralizada. A IA reduziu de dois dias para 15 minutos a produção das lâminas dos fundos, e, segundo o executivo, a adoção não levou a demissões. Pegorini contou ainda que usou o Claude para sugerir o nome Safeguard a um fundo em preparação.
A entrevista foi conduzida por Clara Sodré, analista de fundos da XP, na série Espresso Outliers. Em 2026, a Valora levou o 1º lugar em FI-Agro e o 2º em FII Papel na Premiação Outliers InfoMoney. Pegorini aponta agro e infraestrutura como frentes de crescimento, com FIDCs, CRAs e Fiagros.
Por que importa. Quem origina crédito precisa vender a carteira para um FIDC, e o gestor do outro lado agora decide olhando 10 anos de inadimplência com IA. A fintech que entregar dados limpos e históricos de pagamento por cliente consegue funding mais barato, e há espaço para quem vender essa camada de dados e monitoramento para as dezenas de gestoras de crédito que ainda fazem isso em planilha.
Fonte: InfoMoney. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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