Uphold deixa o Brasil por causa da licença cripto do Banco Central e dá até 30 de novembro para saques
Corretora avisou clientes por e-mail que vai encerrar os serviços no país; staking será devolvido até 6 de novembro, e usuários do navegador Brave perdem a via de saque das recompensas em BAT

Foto ilustrativa: Satheesh Sankaran/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Uphold, plataforma internacional de compra, venda e custódia de criptoativos, vai deixar de atender clientes residentes no Brasil. Em comunicado enviado por e-mail aos usuários, revelado pelo Livecoins, a empresa fixou o dia 30 de novembro como prazo final para a retirada normal de saldos e atribuiu a decisão às novas exigências de autorização para prestadoras de serviços de ativos virtuais no país.
A corretora também desativou as ferramentas de renda passiva e vai devolver os valores travados em staking, com os rendimentos, até 6 de novembro. Depois de 30 de novembro, o saldo que sobrar nas contas será convertido na stablecoin USDC pela cotação de mercado. A partir daí, a conta só permitirá saques de criptoativos para carteiras externas, sem novos depósitos, negociações ou envios para meios de pagamento vinculados, até o encerramento definitivo do perfil.
“O Brasil está introduzindo novas exigências de autorização para prestadores de serviços de criptoativos. Diante dessas mudanças, decidimos deixar de prestar os serviços da Uphold a clientes no Brasil”, diz o comunicado da empresa.
A saída atinge em cheio os brasileiros que usam o navegador Brave. Desde outubro de 2019, a Uphold é a parceira integrada ao Brave Rewards, programa em que quem aceita ver anúncios privados recebe 70% da receita publicitária mensal em tokens BAT. Era pela conta verificada na Uphold que o usuário sacava esses tokens e os trocava por reais ou outros criptoativos. Fora do Brasil a integração continua; aqui, o usuário terá de mover o BAT para uma carteira externa ou aceitar a conversão para USDC.
“O Brasil está introduzindo novas exigências de autorização para prestadores de serviços de criptoativos. Diante dessas mudanças, decidimos deixar de prestar os serviços da Uphold a clientes no Brasil”
Uphold, em comunicado enviado aos clientes brasileiros
O calendário segue as regras do Banco Central. As Resoluções BCB 519, 520 e 521, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, passaram a exigir autorização para quem intermedeia, negocia e custodia ativos virtuais. O prazo para quem já operava protocolar o pedido terminou na sexta-feira (30), e quem não pediu tem 30 dias para encerrar os serviços. A partir de 6 de novembro, bancos e instituições de pagamento ficam proibidos de operar com prestadoras não autorizadas, salvo exceções previstas na norma.
Segundo levantamento não oficial da Cainvest citado pelo BitNotícias, 74 empresas tinham pedidos de autorização, registros ou comunicações regulatórias identificados até o fim do prazo, entre elas Binance, Coinbase, Mercado Bitcoin e Foxbit. O mesmo levantamento lista a Uphold entre as plataformas que anunciaram o encerramento de serviços no país. A lista oficial do Banco Central deve sair nos primeiros dias de novembro.
Por que importa. Cada corretora estrangeira que sai deixa uma base de clientes que precisa, em 30 dias, de outro lugar para guardar e negociar cripto. Para a fintech brasileira que protocolou a licença no prazo, o filtro do Banco Central virou vantagem comercial: menos concorrentes de fora, clientes migrando e bancos que, a partir de 6 de novembro, ficam proibidos de operar com prestadoras não autorizadas, salvo exceções previstas na norma.
Fonte: Livecoins e BitNotícias. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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