Bmg tem lucro de R$ 141 milhões no 3º trimestre, queda de 4,7%, e vende R$ 1,5 bilhão em cartão consignado a um FIDC
Inadimplência acima de 90 dias sobe para 5,6% e custo do crédito sobe 47% em um ano; banco aposta no consignado privado, que cresceu 23,5% no trimestre, e espera queda das provisões no quarto trimestre

Felix Cardamone, CEO do Bmg. Foto: Reprodução/CNN
O Banco Bmg teve lucro líquido recorrente de R$ 141 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 4,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 10,2% frente ao segundo trimestre, segundo o balanço divulgado na quinta-feira (5), como mostrou o Valor. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) caiu para 13,6%, de 16,6% um ano antes. No trimestre, o banco vendeu cerca de R$ 1,5 bilhão em carteira de cartão consignado a um FIDC, sem reter o risco, segundo relatório da Genial Investimentos.
O que pesou foi o crédito. O custo do crédito chegou a R$ 682 milhões, alta de 47% em um ano, e a inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,6%, de 4,2% no trimestre anterior e 3,9% um ano antes. Segundo o CEO, Felix Cardamone, juros altos, endividamento recorde das famílias e as bets consumindo o orçamento, antes da recente proibição, fizeram os atrasos subirem.
Flávio Pentagna Guimarães Neto, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, disse ao Valor que o custo do crédito foi afetado por três fatores: o endividamento das famílias, a venda de quase R$ 1,5 bilhão em carteira no trimestre e a mudança no mix, com mais consignado privado, que tem inadimplência estruturalmente maior. “As provisões aumentaram bem, mas esperamos ver uma queda no quarto trimestre”, afirmou.
A margem financeira, por outro lado, cresceu 15,9% em um ano, para R$ 1,559 bilhão. A carteira de crédito terminou setembro em R$ 23,045 bilhões, queda de 2% em 12 meses e de 4,2% no trimestre, por causa das cessões. Segundo a Genial, o consignado privado chegou a R$ 1,59 bilhão (alta de 23,5% no trimestre) e o crédito pessoal a R$ 2,06 bilhões, enquanto os cartões consignado e benefício caíram para R$ 11,2 bilhões. A originação do cartão consignado está suspensa por decisão do TCU desde abril, segundo a casa de análise.
““Com esse vento contrário, precisamos ajustar as velas, no curto prazo perdemos um pouco de rentabilidade, mas não alteramos nossa estratégia de ser um banco mais relacional, mais próximo dos clientes.””
Felix Cardamone, CEO do Bmg, ao Valor
João Consiglio, vice-presidente de negócios e clientes, disse que o consignado privado é um produto que dá resultado e que o banco ajustou a operação depois do teto de taxa definido pelo governo. “Está completando um ano que operamos com esse produto. Agora estamos felizes com a estratégia, sempre com uma boa dose de conservadorismo”, afirmou ao Valor.
Em vídeo de resultados publicado pelo próprio banco, o Bmg diz ter mais de 9 milhões de clientes e que 52% do crédito concedido no trimestre foi contratado pelos próprios clientes, sem intervenção humana. Nos nove primeiros meses do ano, o lucro somou R$ 446 milhões, alta de 14,8%. O índice de Basileia fechou setembro em 13,5%.
Por que importa. Vender carteira de crédito a FIDCs virou parte do modelo de negócio de bancos médios como o Bmg, que, segundo a Genial, cede cerca de R$ 4 bilhões por ano sem reter o risco. Cada cessão dessas precisa de estruturação, administração, custódia, cobrança e análise das carteiras, serviços em que fintechs de infraestrutura de crédito ganham taxa a cada operação. E a troca do cartão consignado pelo consignado privado abre espaço para quem oferece tecnologia de averbação, análise de risco e cobrança para esse produto.
Fonte: Valor Econômico; balanço do Banco Bmg (3º trimestre de 2026); Genial Investimentos. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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