Pix Automático passa de 10 milhões de cobranças em outubro, 57 vezes mais que um ano antes, mostram dados do Banco Central
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados abertos do Pix mostra alta de 19% sobre setembro; 94% das cobranças são de pessoas pagando empresas, com tíquete médio de R$ 38, e a Adyen diz que a modalidade já aumenta a conversão de assinantes

Isabel Noronha, VP de Account Management da Adyen para a América Latina. Foto: Divulgação/Adyen
O Pix Automático, a modalidade de cobrança recorrente do Banco Central, passou pela primeira vez de 10 milhões de pagamentos em um mês. Foram 10,6 milhões em outubro de 2026, segundo as estatísticas de transações Pix publicadas pelo BC na base de dados abertos e organizadas pelo Mundo das Fintechs. É uma alta de 19,2% sobre setembro (8,9 milhões) e 57 vezes o número de outubro de 2025, quando foram 185 mil.
O valor movimentado foi de R$ 1,58 bilhão em outubro, 5,8% menos que em setembro (R$ 1,68 bilhão). A queda veio dos pagamentos entre empresas, que somaram R$ 1,21 bilhão, ante R$ 1,37 bilhão no mês anterior. Os pagamentos de pessoas para empresas continuaram subindo: R$ 377 milhões, alta de 20,5% em um mês.
A modalidade é, na prática, uma ferramenta de pessoa física pagando conta recorrente. Dos 10,6 milhões de pagamentos de outubro, 10 milhões (94,5%) foram de pessoas para empresas, com tíquete médio de R$ 37,55, valor típico de assinatura, mensalidade e conta de serviço. Os 587 mil pagamentos entre empresas tiveram tíquete médio de cerca de R$ 2 mil e responderam por 76% do valor.
O crescimento ganhou velocidade em 2026. Lançado em 16 de junho de 2025, o Pix Automático fechou o ano passado com cerca de 1,2 milhão de pagamentos no total. Só de janeiro a outubro de 2026 foram 46,7 milhões, que movimentaram R$ 11,7 bilhões. De maio (2,9 milhões) para outubro, o número mensal ficou 3,7 vezes maior. Ainda assim, a modalidade é pequena frente ao Pix como um todo: representou 0,14% dos 7,37 bilhões de transações Pix de outubro.
“10,6 milhões de pagamentos por Pix Automático em outubro de 2026, contra 185 mil em outubro de 2025”
Estatísticas de transações Pix do Banco Central (dados abertos), organizadas pelo Mundo das Fintechs
Quem paga está espalhado pelo país, mas quem recebe está concentrado. Pela região informada nas estatísticas, 47,5% dos pagamentos de outubro saíram de pagadores do Sudeste, 18,7% do Nordeste e 15,5% do Sul. Do lado de quem recebe, 76% estavam no Sudeste e 23,4% no Sul. Por idade, a maior fatia dos pagamentos veio de pagadores de 30 a 39 anos (23,9%), seguida dos de 20 a 29 anos (21,3%) e de 40 a 49 anos (21,1%).
Os números do BC batem com o que as empresas de pagamento vêm mostrando. No evento Adyen Beyond, a empresa disse que, entre os clientes que somaram o Pix Automático a uma cobrança que já aceitava cartão, a modalidade acrescentou, em mediana, nove pontos percentuais ao crescimento do volume. No caso do Clube iFood, a conversão de novos assinantes subiu 20% depois da adoção. As informações foram publicadas pelo AdNews.
“O Pix Automático transforma a recorrência ao desatar um nó estrutural do mercado brasileiro: depender unicamente do limite do cartão de crédito do consumidor”, afirmou Isabel Noronha, vice-presidente de Account Management da Adyen para a América Latina. Segundo a Adyen, cerca de 60 milhões de brasileiros não têm cartão de crédito.
A base deve crescer mais. A Resolução BCB nº 587, publicada em setembro, permite pagar por Pix Automático com saldo de conta-salário a partir de 1º de julho de 2027.
Como o levantamento foi feito: o Mundo das Fintechs somou, mês a mês, a quantidade e o valor das transações com forma de iniciação “AUTO” (Pix Automático) na tabela EstatisticasTransacoesPix dos dados abertos do Pix do Banco Central, de junho de 2025 a outubro de 2026, e separou por natureza (pessoa para empresa, empresa para empresa), região e idade do pagador. Os dados mostram transações liquidadas, não o número de autorizações ativas.
Por que importa. Com 10 milhões de cobranças por mês e tíquete médio de R$ 38, o Pix Automático virou a porta para cobrar assinatura de quem não tem cartão de crédito, um público de cerca de 60 milhões de brasileiros, segundo a Adyen. A fintech que oferece a empresas pequenas e médias a cobrança recorrente por Pix, com retentativa, conciliação e régua de cobrança, ganha uma tarifa por transação em um mercado que cresceu 57 vezes em um ano e ainda é só 0,14% do Pix.
Fonte: Banco Central (estatísticas de transações Pix, dados abertos) e AdNews. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Crédito
Bmg tem lucro de R$ 141 milhões no 3º trimestre, queda de 4,7%, e vende R$ 1,5 bilhão em cartão consignado a um FIDC
Inadimplência acima de 90 dias sobe para 5,6% e custo do crédito sobe 47% em um ano; banco aposta no consignado privado, que cresceu 23,5% no trimestre, e espera queda das provisões no quarto trimestre

- Crédito
Ademicon dobra cotas de consórcio de imóveis em um ano, para 603 mil, e passa o Bradesco na liderança, mostram dados do Banco Central
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados de agosto entregues pelas administradoras ao BC: o consórcio de imóveis cresce 32,6% em 12 meses, e a fintech Klubi fica entre as 11 que mais venderam cotas no mês

- Crédito
FIDCs com o nome da CloudWalk somam R$ 18,9 bilhões, 40% mais em um ano, e superam os de Cielo, PicPay e Mercado Crédito, mostram dados da CVM
Levantamento do Mundo das Fintechs no informe mensal de setembro mostra a dona da InfinitePay com nove FIDCs, um deles o quinto maior do país; Agibank mais que dobra e Creditas cresce 79%

- Explicando
Nu Global: como funciona a conta do Nubank que transfere para mais de 35 países e rende até 3,5% ao ano em dólar digital
Lançada em setembro em Miami, a conta multimoeda guarda o saldo em USDC e EURC, as stablecoins da Circle, tem cartão virtual Mastercard e não cobra tarifa do Nu nas remessas; o Nubank detalhou as quatro funções em 4 de novembro

