Ademicon dobra cotas de consórcio de imóveis em um ano, para 603 mil, e passa o Bradesco na liderança, mostram dados do Banco Central
Levantamento do Mundo das Fintechs nos dados de agosto entregues pelas administradoras ao BC: o consórcio de imóveis cresce 32,6% em 12 meses, e a fintech Klubi fica entre as 11 que mais venderam cotas no mês
Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da Ademicon. Foto: Divulgação/Ademicon
A Ademicon, administradora de consórcios de Curitiba, tinha 603.370 cotas ativas de consórcio de imóveis em agosto de 2026, mais que o dobro das 299.852 de agosto de 2025 (alta de 101,2%), segundo os dados que as administradoras enviam todo mês ao Banco Central, organizados pelo Mundo das Fintechs. Com isso, a Ademicon passou o Bradesco Consórcios, que liderava o segmento um ano antes, e ficou com 18% de todas as cotas ativas de imóveis do país. A Ademicon é comandada pela CEO Tatiana Schuchovsky Reichmann.
O segmento inteiro cresceu 32,6% no período, de 2,53 milhões para 3,36 milhões de cotas ativas, o ritmo mais forte entre os seis segmentos do consórcio. Atrás da Ademicon aparecem o Bradesco Consórcios, com 351.494 cotas de imóveis (alta de 14,4%), a Porto, com 314.032 (alta de 33,3%), a BB Consórcios, com 291.154 (alta de 3,1%), a HS Consórcios, com 240.861 (alta de 24,9%), e a Itaú Consórcios, com 197.600 (alta de 16,9%).
A diferença também aparece nas vendas. Em agosto, a Ademicon vendeu 49.354 cotas novas de imóveis, 2,3 vezes as 21.580 de agosto de 2025 e 28,1% de todas as cotas de imóveis vendidas no país no mês (175.620, alta de 14,5% em 12 meses). Somando todos os segmentos, a Ademicon tinha 769.863 cotas ativas, alta de 82,4%, e é a quarta maior administradora do país, atrás do Consórcio Nacional Honda (2,60 milhões de cotas, quase todas de motos e carros), da BB Consórcios (1,81 milhão) e do Bradesco Consórcios (1,63 milhão).
No sistema todo, as 122 administradoras com cotas ativas somavam 13,71 milhões de cotas em agosto de 2026, 12,5% mais que um ano antes, e venderam 529.693 cotas novas no mês, alta de 6,4%. Veículos leves seguem como o maior segmento, com 5,67 milhões de cotas.
“603.370 cotas ativas de consórcio de imóveis na Ademicon em agosto de 2026, contra 299.852 um ano antes”
Banco de dados de consórcios do Banco Central (dados consolidados), organizado pelo Mundo das Fintechs
Entre as fintechs, a Klubi, que vende consórcio pela internet e tem o Patria como investidor, como mostrou o Mundo das Fintechs em outubro, chegou a 80.616 cotas ativas (alta de 26,8%) e vendeu 12.965 cotas em agosto, a 11ª maior venda do mês entre todas as administradoras, à frente da Sicoob Consórcios e da Disal. Quase todas (92,6%) foram de outros bens móveis duráveis, o segmento de eletrônicos e bens de menor valor. A Klubi foi fundada por Eduardo Rocha, que é o CEO.
Na prática, o consórcio funciona como uma compra planejada: o cliente paga parcelas mensais para um grupo, e a cada mês parte dos participantes é contemplada por sorteio ou lance e recebe a carta de crédito para comprar o bem. Não há juros, e a receita da administradora vem da taxa de administração, que no segmento de imóveis ficou em média entre 20,1% e 24% do valor da carta nas seis maiores administradoras em agosto, segundo os mesmos dados.
Como o levantamento foi feito: o Mundo das Fintechs somou, por administradora, as cotas ativas (em dia e inadimplentes, contempladas ou não) e as cotas vendidas no mês dos arquivos de dados consolidados por segmento do banco de dados de consórcios do Banco Central, nas datas-base de agosto de 2025 e agosto de 2026. Agosto é o dado mais recente: o BC publica os números a partir do dia 10 do segundo mês seguinte, e os últimos 12 meses podem ser revisados.
Por que importa. Consórcio é crédito sem juros e sem dinheiro próprio na operação: a administradora ganha a taxa de administração sobre o valor da carta, cobrada ao longo de anos, enquanto o dinheiro dos grupos é dos próprios participantes. Com o consórcio de imóveis crescendo 32,6% em um ano e uma administradora independente passando um bancão em cotas, há espaço para a fintech que vende consórcio pela internet, como a Klubi, e para quem oferece tecnologia, venda de cotas contempladas, análise de lances e serviços às administradoras.
Fonte: Banco Central (banco de dados de consórcios, dados consolidados). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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