Monkey: com juros futuros a 15,24% e inadimplência alta, CFO diz que antecipação de recebíveis sai a partir de CDI + 1 ponto na plataforma
Calil Gedeon, CFO da fintech, diz à VEJA Negócios que o crédito para empresas deve ficar mais caro em 2027 e que a duplicata escritural deve se tornar obrigatória para as grandes empresas no mesmo ano

Divulgação/Monkey
A antecipação de recebíveis é uma alternativa para as empresas reforçarem o caixa num momento de juros futuros em alta e inadimplência elevada, segundo Calil Gedeon, CFO da Monkey, fintech especializada em antecipação de recebíveis. Em entrevista à VEJA Negócios publicada em 30 de outubro, o executivo disse que o custo do crédito para as empresas brasileiras pode ficar ainda mais alto em 2027.
Segundo Gedeon, o contrato de juros futuros com vencimento em 2031 passou de 12,64% para 15,24% em poucos dias no fim de outubro, uma alta de 2,6 pontos percentuais. Como os títulos públicos servem de referência para as taxas, a captação dos bancos tende a ficar mais cara, e o repasse chega às empresas. A inadimplência elevada aumenta o risco das operações e leva as instituições a cobrar mais para emprestar.
O impacto não será igual para todos, de acordo com o CFO: empresas com receita diversificada no exterior, menos dívida e garantias mais robustas podem enfrentar condições diferentes das que dependem só do mercado brasileiro.
Na antecipação, a empresa recebe antes o valor de vendas feitas a prazo e paga uma taxa de desconto. No risco sacado, o fornecedor que vende para uma grande empresa, com risco de crédito menor, consegue condições melhores. Na plataforma da Monkey, segundo Gedeon, algumas operações saem a CDI mais 1 ou 2 pontos percentuais ao ano, enquanto outras modalidades de financiamento podem chegar a CDI mais 4, 5 ou 6 pontos, conforme o perfil da empresa e da operação.
“A régua do preço do dinheiro mudou.”
Calil Gedeon, CFO da Monkey, à VEJA Negócios
O executivo afirma que a ferramenta não deve ser usada sem critério. Faz sentido para aproveitar desconto em compra à vista ou cobrir despesa pontual, como o décimo terceiro salário. Usar a antecipação o tempo todo para tapar um buraco estrutural no caixa pode agravar o problema. “Seria o equivalente a eu tomar um empréstimo de curto prazo para financiar uma obrigação de longo prazo”, comparou.
Gedeon também citou a expansão da duplicata escritural, o registro eletrônico dos recebíveis de vendas entre empresas. A expectativa, segundo ele, é que a obrigatoriedade avance para as grandes empresas em 2027, o que exige mudanças em sistemas de pagamento, tecnologia e gestão financeira. “Minimizar ou deixar para depois a preparação para essas mudanças regulatórias é o risco”, disse.
Por que importa. Com o crédito bancário mais caro, cresce a procura por antecipação de recebíveis. A fintech ganha na taxa de desconto cobrada sobre cada venda antecipada, e operações que na Monkey saem a CDI mais 1 ou 2 pontos podem atrair empresas que hoje pagam CDI mais 4 a 6 pontos em outras modalidades. Se a duplicata escritural se tornar obrigatória para as grandes empresas em 2027, como espera o executivo, quem tiver plataforma pronta para registrar e antecipar esses títulos sai na frente.
Fonte: VEJA Negócios. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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