Brainvest, de US$ 7 bilhões sob gestão, compra fatia da Zero Conflict, family office de R$ 1,5 bilhão, e mira o controle até 2030
Multi-family office de São Paulo e Joinville cobra de 0,6% a 0,7% ao ano por um pacote que junta carteira e concierge; Brainvest ganha frente em Santa Catarina

Jan Karsten, CEO da Brainvest Brasil (Divulgação/Brainvest)
A Brainvest Wealth Management, gestora de fortunas com cerca de US$ 7 bilhões sob gestão no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça, comprou uma participação minoritária na Zero Conflict, multi-family office com R$ 1,5 bilhão sob gestão e escritórios em São Paulo e Joinville (SC), segundo o NeoFeed nesta terça-feira (27). O acordo prevê aquisições em etapas até a Brainvest assumir o controle da casa em 2030. Até lá, as duas marcas convivem.
O que a Brainvest compra, além da carteira, é um serviço. Dos dez profissionais da Zero Conflict, seis cuidam de demandas das famílias, de questões fiscais e administração de bens a reservas de restaurante e preparo de casas de férias, e quatro da gestão de investimentos. “Tem um perfil de cliente no mercado, inclusive prospects, que só viria se tivesse esse serviço”, disse Jan Karsten, CEO da Brainvest Brasil.
O pacote tem preço acima da média. Para patrimônios de dezenas de milhões de dólares, a Zero Conflict cobra uma taxa única de 0,6% a 0,7% ao ano, contra uma referência de mercado de 0,3% a 0,4%, segundo o sócio-fundador Rafael Castiglia. Cerca de 90% do patrimônio sob gestão da casa está no exterior, fatia que subiu de 50% em cerca de 12 anos.
É mais um passo de uma série de aquisições da Brainvest, que teve 20% comprados pela americana Merchant Investment Management em 2021 e depois se uniu a KPC Consultoria e Enso (2023), entrou na Köli Capital, de Niterói (2024), e na Milenium Capital, do Rio (2025). Com a Zero Conflict, a equipe brasileira passa de cerca de 100 para 110 pessoas, e a gestora ganha a presença em Santa Catarina que buscava havia anos.
“No fim das contas, a coisa mais valiosa que nossos clientes têm é o tempo deles”
Rafael Castiglia, sócio-fundador da Zero Conflict, ao NeoFeed
Por que importa. Por que importa: a família rica paga quase o dobro da taxa de mercado quando a gestora resolve também a vida em volta do dinheiro, de imposto a imóvel. Para quem monta fintech de wealth, o recado é que a margem está no serviço que o robô de investimento não entrega, e que boutique pequena com cliente fiel vira alvo de compra dos consolidadores.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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