Atlas registra Certificado de Recebíveis de R$ 10 milhões na rede pública XRP Ledger
Plataforma de Alexandre Reda e Felipe Siqueira, ex-Mercado Bitcoin, cria uma carteira digital por investidor e diz que o custo de escrituração cai a centavos

Alexandre Gurfinkel Reda (à esq.) e Felipe Carvalho Siqueira, cofundadores da Atlas (Divulgação/Atlas Inc.)
A Atlas, plataforma de investimento participativo e crédito estruturado regida pela Resolução CVM 88, colocou em operação em outubro um sistema que registra a titularidade de ativos regulados na rede pública XRP Ledger. A primeira operação foi um Certificado de Recebíveis (CR) de cerca de R$ 10 milhões, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (27).
Cada investidor do CR ganha uma carteira individual criada de forma automática na rede, que funciona como espelho digital da sua posição jurídica. Segundo a empresa, o registro descentralizado não substitui a estrutura fiduciária tradicional nem altera o patrimônio separado da securitização: é uma camada de auditoria e verificação independente, que pode ser reaproveitada nas próximas ofertas sem reescrever o software.
O argumento econômico é o custo. No modelo convencional, escrituração e custódia têm despesas fixas que podem consumir parte relevante de uma emissão pequena. Com a rede pública, a Atlas diz que o custo marginal de escrituração cai a frações de centavo por investidor, o que torna viável captar valores menores. O investidor não precisa ter criptoativo, pagar taxa de rede nem guardar chave privada.
A empresa foi fundada em 2026 por Alexandre Gurfinkel Reda e Felipe Carvalho Siqueira, ambos ex-Mercado Bitcoin, e soma mais de 20 ofertas públicas e cerca de R$ 700 milhões estruturados. A escolha da XRP Ledger, ligada à Ripple, se deve a controles regulatórios nativos do protocolo, segundo os executivos.
“A rede pública funciona como camada de auditoria independente e não substitui o patrimônio separado da securitização”
Atlas, em comunicado
O movimento acompanha a alta da tokenização de ativos reais no Brasil: as emissões somaram R$ 4,84 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 122% sobre o mesmo período de 2025, segundo estimativas citadas pela empresa. Em julho, a CVM criou um grupo de trabalho para propor regras de registro, custódia e negociação de valores mobiliários em redes DLT.
Por que importa. Por que importa: o que trava a emissão pequena de crédito no Brasil é o custo fixo de escriturar e custodiar, não a falta de investidor. Quem derruba esse custo abre um mercado inteiro de captações de poucos milhões de reais para empresas médias que o banco atende mal, e cobra por cada oferta que estrutura.
Fonte: Brasil Inovador. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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