Núclea e CERC desenham o Pix em Garantia, que pode virar recebível de Pix em crédito para empresas
Modelo em estudo vincula parte dos Pix que a empresa vai receber a um empréstimo; o Banco Central pôs o tema na agenda de 2027 em diante, sem garantia de implantação

Fernando Fontes, cofundador e CEO da CERC (Divulgação/CERC)
As registradoras Núclea e CERC trabalham num desenho de solução para o Pix em Garantia, modelo em estudo que permitiria às empresas usar os pagamentos que ainda vão receber via Pix como garantia de empréstimos. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pela ABBC, a associação dos bancos médios, que acompanha o tema na sua Comissão de Meios e Arranjos de Pagamento.
Pela proposta, o lojista negociaria o crédito com o financiador e registraria a unidade de recebíveis de Pix (UR Pix) numa registradora. A cada novo Pix recebido, consultas às bases do modelo identificariam se há uma parcela vinculada à operação: essa parte iria para o credor, e o restante continuaria disponível para a empresa. É a mesma lógica que hoje existe para os recebíveis de cartão.
A ABBC dá um exemplo: uma loja que recebe cerca de R$ 80 mil por mês via Pix há seis meses já usa esse histórico para mostrar capacidade de pagamento. Com o Pix em Garantia, parte do que ela ainda vai receber poderia ficar formalmente presa ao financiamento, como garantia adicional.
Núclea e CERC estudam como registrar esses recebíveis, identificar os valores vinculados e direcionar o dinheiro a quem tem o direito. Nos grupos de trabalho de Pix e duplicatas, o mercado também discute como integrar o novo registro aos ativos financeiros que já existem.
“Em um eventual modelo de Pix em Garantia, parte dos pagamentos que a loja ainda vai receber poderia ser formalmente vinculada a um financiamento”
ABBC, sobre o modelo em estudo
O modelo ainda não está garantido. O tema passou pela plenária do Fórum Pix em 2025, e em março de 2026 o Banco Central o incluiu na agenda do Pix de 2027 em diante, o que não representa aprovação definitiva. Faltam definições operacionais e regulatórias.
Por que importa. Por que importa: quanto mais o pequeno lojista recebe por Pix, menos recebível de cartão ele tem para antecipar. Se o Pix virar garantia registrada, abre-se um mercado novo de crédito para quem souber ler o fluxo de Pix do cliente: fintechs de capital de giro, FIDCs e plataformas de antecipação podem emprestar a negócios que hoje o banco não atende.
Fonte: ABBC. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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