Unico lança o Human Token, que transforma a selfie em identidade com o mesmo preço em qualquer país, e corta 25% do quadro
IDTech brasileira processa mais de 3 bilhões de autenticações por ano, cresceu 41% no 1º semestre e quer virar infraestrutura global de identidade em 18 meses

Luis Felipe Monteiro, CEO para a América Latina da Unico. Foto: Reprodução/Bloomberg Línea
A Unico, empresa brasileira de verificação de identidade, lançou na quinta-feira (29) o Human Token, tecnologia com patente depositada nos Estados Unidos que transforma a selfie de uma pessoa em um número único e persistente. Ao mesmo tempo, a companhia anunciou o corte de 25% do quadro de funcionários, segundo a Bloomberg Línea.
Com o Human Token, a Unico passa a vender o mesmo produto, com a mesma resposta e o mesmo preço, em qualquer país. Até aqui, cada mercado funcionava como um negócio à parte, com integração a documentos locais, adaptação à legislação, conexão com bases públicas e tabela de preços própria. O lançamento é simultâneo em todos os mercados: a solução já opera no Brasil, no México, na China, na Nigéria, nas Filipinas e na Indonésia, e a empresa previa colocar o primeiro cliente argentino no ar até o fim da semana passada.
“Um cliente integra uma única vez ao nosso produto e tem a resposta de identidade em todos os países em que opera”, afirmou Luis Felipe Monteiro, CEO para a América Latina da Unico, à Bloomberg Línea.
O token dispensa nome, número de documento e data de nascimento. Segundo a empresa, isso permite reconhecer a mesma pessoa a cada tentativa sem saber quem ela é e sem depender de grandes bases de dados biométricos. Para os clientes, a tecnologia simplifica a abertura de contas e pode substituir senhas de uso único (OTP) enviadas por SMS ou e-mail. A Unico processa mais de 3 bilhões de autenticações por ano e afirma que a tecnologia é 100% própria.
“Um cliente integra uma única vez ao nosso produto e tem a resposta de identidade em todos os países em que opera.”
Luis Felipe Monteiro, CEO para a América Latina da Unico
Junto com o lançamento, a empresa reúne em uma só plataforma, a Human Platform, as tecnologias que vieram de 11 aquisições, quatro delas no exterior (Trully.AI, Oz Forensics, OwnID e Valida), e corta 25% da equipe. A reestruturação é global e inclui a América Latina. Com cerca de 700 pessoas, o corte é da ordem de 175 vagas, pelas contas da Bloomberg Línea. Há três anos, a Unico tinha cerca de 1.400 funcionários. A empresa diz que vai oferecer pacotes de desligamento, extensão de benefícios e apoio à recolocação, e que os clientes no Brasil seguem atendidos normalmente.
Segundo Monteiro, o uso de inteligência artificial na engenharia multiplicou por quatro a produtividade do time de tecnologia, e o investimento em IA já equivale a 30% da folha de pagamento.
No primeiro semestre de 2026, a receita global da Unico cresceu 41%; fora do Brasil, a alta foi de 56%. Nos últimos três anos, a empresa investiu cerca de R$ 500 milhões na expansão internacional, entre aquisições e desenvolvimento do produto global. O objetivo, segundo Monteiro, é virar uma infraestrutura global de identidade nos próximos 18 meses, distribuindo o produto diretamente nos países onde está e por meio de parceiros nos demais.
Por que importa. Toda fintech paga para saber se o cliente é quem diz ser, a cada conta aberta e a cada transação de risco, e esse custo cresce junto com a fraude. Quando a verificação vira um token com preço único e integração única, sobra espaço para quem constrói em cima dela: abrir conta em vários países com o mesmo cadastro, cobrar por autenticação em vez de SMS e vender antifraude como serviço para quem não tem escala para fazer sozinho.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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