Kalshi, da brasileira Luana Lopes Lara, capta 1 bilhão de dólares e passa a valer 40 bilhões de dólares
A bolsa de mercados de previsão quase dobrou de valor desde maio e quer ir além de esportes e política, com cripto, commodities e índices; no Brasil, segue proibida de operar

Tarek Mansour, cofundador e CEO da Kalshi, no Web Summit 2021. Foto: Diarmuid Greene/Web Summit (CC BY 2.0)
A Kalshi, bolsa americana de mercados de previsão cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara e pelo libanês Tarek Mansour, captou US$ 1 bilhão em uma rodada Série G que avalia a empresa em US$ 40 bilhões. O anúncio foi feito na quinta-feira (29). O valor é quase o dobro do registrado em maio, quando a empresa levantou outro US$ 1 bilhão com valuation de US$ 22 bilhões, segundo o Pipeline, do Valor Econômico.
A rodada foi liderada pelas gestoras Sequoia Capital e Wellington Management, com participação de Baillie Gifford, Stripes, Andreessen Horowitz (a16z), Coatue, Layer Global, Morgan Stanley Investment Management, Sequoia Global Equities, CapitalG, Hudson River Trading e Balyasny.
A Kalshi diz que o volume negociado na plataforma passa de US$ 1 trilhão por ano, que tem mais de 30 milhões de contas criadas e mais de US$ 1 bilhão em receita anualizada só com segmentos que não são esportes, segundo a Bloomberg Línea. A empresa afirma responder por mais de 75% do volume global de negociação em mercados de previsão.
Fundada em 2018 com foco em contratos sobre eventos de esportes e política, a Kalshi quer usar o dinheiro para ampliar a oferta de derivativos para commodities, criptomoedas, índices, contratos perpétuos de ações e os chamados compute markets, ligados ao custo futuro de poder computacional. Neste ano, a empresa passou a oferecer contratos futuros perpétuos depois de aprovação da CFTC, a comissão americana que regula derivativos, e fechou parceria com a S&P para criar novos índices. A ambição declarada é disputar espaço com bolsas tradicionais como CME e ICE.
“Esportes trouxeram milhões de pessoas para a Kalshi e ajudaram a estabelecer liquidez. Agora estamos estendendo esses efeitos de rede para política, cripto, economia, commodities e contratos futuros perpétuos.”
Kalshi, em nota sobre a rodada
Os recursos também vão para infraestrutura, liquidez, produtos para o público institucional e expansão internacional, com foco na Europa e na América Latina. No Brasil, porém, a Kalshi está proibida de operar: depois de a empresa sinalizar a chegada ao país, o Conselho Monetário Nacional e o Ministério da Fazenda publicaram regras que barraram plataformas de previsão ligadas a eleições, esportes e eventos gerais. Em entrevista recente à Bloomberg Línea, Luana disse que o plano A é negociar de forma construtiva com o governo brasileiro.
Por que importa. A Kalshi mostra quanto vale ser dona do lugar onde se negocia: com mais de 75% do volume global de mercados de previsão, segundo a própria empresa, ela usa essa base para vender derivativos de cripto, commodities e índices. No Brasil o produto está barrado, mas a lição vale para quem monta fintech de investimento: atrair liquidez com um produto simples e depois empilhar novos ativos na mesma plataforma é o que transforma uma startup de nicho em uma bolsa de 40 bilhões de dólares.
Fonte: Pipeline (Valor Econômico) e Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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