Crefour: fundadores do market4u, rede que projeta R$ 500 milhões em 2026, criam securitizadora para financiar os próprios franqueados
Securitizadora vai usar dados operacionais das lojas autônomas para dar crédito sem exigir imóvel como garantia; em três a cinco anos, quer virar fintech para outros públicos

Eduardo Córdova, cofundador e CEO do market4u (Divulgação)
A Crefour, securitizadora criada pelos fundadores do market4u, rede de minimercados autônomos instalados em condomínios, foi anunciada nesta terça-feira (3) para financiar a expansão dos franqueados da própria rede, segundo o Business Moment. É a primeira empresa financeira do grupo, e o crédito vai para abertura de novas unidades e compra de pontos já existentes.
A análise de crédito junta indicadores tradicionais, como score e nível de endividamento, aos dados operacionais de cada ponto de venda e ao histórico de desempenho do franqueado. Nesta primeira fase, só entram franqueados com bom desempenho que queiram ampliar a operação, inclusive no segmento de lavanderias, nova frente do market4u.
A garantia fica dentro do negócio: a Crefour não exige imóvel e considera como garantia os recebíveis e o próprio ponto de venda, conforme o contrato de cada financiamento. Em caso de inadimplência, essas garantias podem ser executadas.
“Com a Crefour, queremos transformar o desempenho comprovado em oportunidade de expansão, utilizando informações reais da operação para tornar o financiamento mais ágil e adequado à realidade dos nossos franqueados”, disse Eduardo Córdova, cofundador e CEO do market4u.
“Um empreendedor que já demonstrou capacidade de operar bem não deveria ter seu crescimento limitado pela dificuldade de acesso ao crédito.”
Eduardo Córdova, cofundador e CEO do market4u, ao Business Moment
Para estruturar a operação, os fundadores contaram com o empresário e investidor Helton Parizotto, criador do Verde Mais, que trouxe o conceito de fresh market ao Brasil em 2016, e conselheiro do market4u. “A Crefour nasce com a proposta de transformar dados operacionais em inteligência financeira, permitindo que bons franqueados tenham acesso ao capital necessário para crescer com velocidade e sustentabilidade”, afirmou Parizotto.
O plano vai além da rede. Entre as possibilidades em estudo estão linhas de crédito para condomínios, contas digitais e soluções de pagamento por meio de parcerias de Banking as a Service (BaaS). “Nos próximos três a cinco anos, queremos transformar a Crefour em uma fintech capaz de atender não apenas os franqueados, mas também outros públicos do mercado”, afirmou Córdova.
Fundado em 2020 em Curitiba, o market4u projetou em julho faturar R$ 500 milhões e chegar a 4 mil unidades em 2026, crescimento de 72% no faturamento, segundo a SuperHiper. Em abril, a rede liderou pela terceira vez seguida o ranking de microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF), segundo a Mercado & Consumo.
Por que importa. quem tem os dados de venda do cliente tem a melhor análise de crédito do mercado. Redes de franquia, marketplaces e softwares de gestão sabem quanto cada parceiro fatura por dia, e transformar isso em crédito com garantia nos recebíveis é uma receita nova; com BaaS e securitizadora, essa fintech nasce sem licença de banco.
Fonte: Business Moment. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- Seguros
QI Tech lança seguradora própria, a QI Seguradora, e projeta R$ 3 bilhões em prêmios em até cinco anos
Com licença da Susep, a plataforma de infraestrutura financeira vai oferecer seguro de vida, prestamista e acidentes pessoais para os clientes que já usam seu Banking as a Service e Lending as a Service

- Banco digital
Ueno Bank, banco digital com 2,6 milhões de clientes, sofre intervenção do Banco Central do Paraguai e derruba o presidente da autoridade
Maior emissor de cartões do país, com quase 1,1 milhão de plásticos, teve o índice de solvência abaixo do mínimo de 50%; governo tinha cerca de US$ 869 milhões depositados no banco

- Balanços do 3T26
Stone pode lucrar até 13,8% menos no 3T26 com o Pix tirando receita da maquininha; Nubank, Inter e PagBank abrem balanços a partir de 10/11
Prévias de Itaú BBA, Safra, BB Investimentos e XP mostram fintechs ainda lucrando mais, mas com crédito mais lento, calote em alta e preocupação com 2027

- Plataformas de investimento
Warren Investimentos troca de CEO: Renato Cunha assume no lugar do cofundador Tito Gusmão, que vai para o conselho
Executivo com passagens por McKinsey, XP e Itaú chega depois da venda da plataforma para a argentina Cocos Capital, que ainda depende do Banco Central

