Ueno Bank, banco digital com 2,6 milhões de clientes, sofre intervenção do Banco Central do Paraguai e derruba o presidente da autoridade
Maior emissor de cartões do país, com quase 1,1 milhão de plásticos, teve o índice de solvência abaixo do mínimo de 50%; governo tinha cerca de US$ 869 milhões depositados no banco

Sede do Ueno Bank em Assunção (Divulgação, via Bloomberg Línea)
O Ueno Bank, banco digital paraguaio que atendia um em cada três paraguaios, sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai nesta terça-feira (3) depois que seu índice de solvência caiu abaixo do mínimo exigido de 50%, após ajustes no balanço. Horas depois, o presidente Santiago Peña pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, segundo a Bloomberg Línea.
O banco tinha 2,6 milhões de clientes no fim do ano passado, de acordo com o próprio site, e era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, com quase 1,1 milhão de cartões emitidos até setembro, segundo dados do Banco Central. Na manhã desta terça, formaram-se filas na frente das agências de clientes que não conseguiam acessar o dinheiro.
Os depósitos do governo no Ueno dispararam desde que Peña assumiu, em 2023, e chegaram a cerca de 5 trilhões de guaranis (US$ 869 milhões), ou 29% dos depósitos do banco no fim de junho. O banco estreou no mercado internacional de títulos em março, e os rendimentos dos papéis em dólar com vencimento em 2031 passaram de 10% no início deste mês, sinal de preocupação com o crédito.
Carvallo disse que deixará o cargo, mas pretende conduzir a intervenção até o fim. Ele já presidiu uma instituição que deu origem ao Ueno, ligação que alimentou críticas de que o governo demorou a fiscalizar o banco. Peña pediu ao Congresso que aprove um projeto de lei de emergência que autoriza usar recursos públicos para pagar imediatamente os clientes sem acesso às contas.
“Esta era uma instituição com uma gestão controversa. Todo o sistema financeiro já vinha alertando sobre isso, então os bancos estavam preparados e tinham exposição limitada à instituição.”
Alvaro Acosta, presidente da Investor Casa de Bolsa, à Bloomberg
O Ministério Público abriu investigação e, segundo a imprensa local, foram expedidas ordens de prisão para ao menos oito pessoas ligadas ao banco. O jornal ABC informou que os promotores buscam deter a alta direção, incluindo Miguel Vazquez, que comanda o Grupo Vazquez, dono do Ueno. O banco e o grupo não responderam aos pedidos de comentário da Bloomberg.
Os reguladores dizem que o caso não reflete uma crise mais ampla e que depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa estão garantidos. “Este é um caso isolado de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”, escreveu Peña no X.
Por que importa. o Ueno mostra que banco digital cresce rápido quando junta conta, cartão e escala, mas também que crédito e solvência derrubam qualquer um. Para quem monta fintech no Brasil, o negócio de cartão e crédito dá dinheiro de verdade, e quem oferecer gestão de risco, análise de carteira e tecnologia de compliance para essas operações encontra demanda crescente, porque regulador e investidor vão cobrar cada vez mais.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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